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Edição 176 - Setembro/20

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Empresas, instituições e autônomos
Todos empenhados em salvar vidas

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Locução: Fabio Pimentel
* As indústrias de alimentos de Santa Cruz mantêm sua produção para atender à demanda de mercado tomando todas as medidas possíveis para conter a epidemia e proteger seus colaboradores, equipes de vendas, clientes e consumidores. Acima, faixa na São João Alimentos e EPIs na Santa Massa. Abaixo colaborador da usa máscara na Guacira Alimentos *

E eis que de repente, do dia pra noite, tudo mudou. Escolas interromperam as aulas. O comércio fechou para atendimento direto ao público. As empresas tiveram que mudar procedimentos, autorizar o home office – como se chama o trabalho que você faz de casa – e na medida do possível dar férias coletivas a seus colaboradores. Os profissionais autônomos tiveram que estacionar o carro na garagem e concentrar o contato com clientes através do universo virtual: o whatsapp e o telefone. Tudo isso logo após o carnaval e as férias de verão, quando o ano realmente começa no Brasil.

Dia após dia, as ruas foram ficando mais desertas. E apenas o comércio dedicado a itens de primeira necessidade, basicamente farmácias, supermercados, pada-rias e mercearias, permaneceram abertos, além de postos de combustíveis e todo o sistema de atendimento bancário e correio, que passaram a receber clientes em horários reduzidos. O consumo, principal agente do mundo moderno e capitalista, com seus incontáveis produtos último tipo, que antecedem nossas próprias necessidades, foi estancado. Tanto por conta do fechamento do comércio, como pela redução da renda da maioria das pessoas.

Diante desse cenário improvável numa realidade onde a tecnologia cria soluções antes mesmo de termos que lidar com os problemas, ainda um agente se instalou com todas as suas habilidades no cenário mundial: o medo. Afinal, ninguém em sã consciência quer sucumbir a um vírus que pode ser fatal e que tem um índice de transmissão muito maior que as últimas doenças contagiosas que tivemos que lidar desde a metade do século passado.

Com uma expectativa de longa pausa em suas atividades cotidianas, incluindo trabalho, consumo e, importante destacar, convivência, cidades, países e continentes inteiros estão tendo que se reinventar. Na nossa região, sob a eficiente tutela do governo do Estado de São Paulo, as cidades se recolheram buscando minimizar a curva epidêmica que está em franco crescimento e deverá atingir seu ápice em meados de maio. A previsão, segundos dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do Ministério da Saúde é de que no Brasil o surto do coronavírus só comece a apresentar queda em junho. Até, o desafio de cada cidadão e da-queles que lidam com um contingente de pessoas, como empresários, reitores, comerciantes e governantes, é minimizar ao máximo a incidência da doença que nem sempre tem cura e se espalha feito fogo em pólvora.

Para saber como as pessoas estão lidando com a situação, o 360 ouviu pessoas de diversos setores, naturalmente, sempre através de contato virtual. E usando fotos enviadas pelos entrevistados. Importante no cenário de Santa Cruz do Rio Pardo, onde estamos sediados, o setor de alimentos mostrou desenvoltura para lidar com a situação e continuar abastecendo o país com seus produtos.

Alimentos continuam em produçãoProdutoras de itens de primeira necessidade, as indústrias de alimentos de Santa Cruz se mantêm produzindo para garantir o abastecimento de seus clientes e da população. O desafio, no entanto, é grande. A primeira tarefa foi adotar muitas medidas para garantir que o convívio na área de produção não coloque seus colaboradores em risco de contaminação, o que significa tomar uma série de medidas, como uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) especiais, horários de ocupação de áreas coletivas, como refeitórios, avisos de cuidados necessários, sinalização de distâncias entre pessoas, reforçar o uso de álcool gel, que já era feito, passar a usar  máscaras, entre outros. Na Santa Massa, por exemplo, a temperatura dos colaboradores é medida diariamente, logo na entrada para o trabalho.

Treinamento, home office e férias coletivas Como primeiras medidas, todas as empresas promoveram treinamento intensivo das áreas produtivas, que precisam se manter a postos. E foi dada férias coletivas aos que eram passíveis de cumpri-las sem que a empresa deixe de abastecer o mercado. Na Guacira Alimentos, o sistema de rodízio de horários foi adotado para diminuir a concentração de colaboradores.

As áreas administrativas adoram o sistema de home office. Na São João Alimentos, uma grande faixa na área externa da empresa para alertar também toda a população de entorno, da necessidade de cuidados com o coronavírus. As empresas também trataram de promover o treinamento de suas equipes e externas, já que continuam fazendo a distribuição de alimentos. Motoristas e auxiliares usam máscaras, luvas e fazem toda a higienização necessária entre uma entrega e outra.

Vendas por telefone e solidariedadeAs áreas de vendas também foram orientadas a atuar exclusivamente por telefone e whatsapp nesta fase de isolamento social. Na Special Dog, quando há a necessidade do vendedor visitar um cliente, é orientado a evitar cumprimentos, usar máscaras e luvas. A empresa distribuiu 10 mil máscaras de tecido para sua equipe de logística, para que todos tenham unidades suficientes para troca a cada duas horas.

* Acima à esquerda, a funcionária da ACE-Santa Cruz presta atendimento ao associado usando máscara de proteção. Abaixo, a equipe da Stoke organiza kits, vende por telefone e entrega na casa do cliente *

Solidariedade em alta Cientes de sua condição favorável num cenário de risco e queda de vendas em geral, as empresas do setor de alimentos de Santa Cruz se ocupam em abastecer o mercado sem ter qualquer garantia da futura liquidez de seus clientes. A confiança e o espírito solidário são a tônica das linhas de condutas que estão adotando. Elas também não deixam de contribuir com a comunidade, seja através de doações de recursos, caso da Santa Massa, que contribuiu para a campanha da Santa Casa da cidade, seja distribuindo produtos e itens de segurança, como fez a Special Dog com a produção de máscaras para serem distribuídas à comunidade, um trabalho realizado pela área de corte e costura de seu Centro Cultural, cujas demais atividades foram suspensas.

O comércio de portas fechadas No comércio, onde o isolamento determina o atendimento exclusivamente por delivery, a situação apresenta mais impacto. “Registramos uma queda de 70% das vendas depois que fechamos a loja, justamente na época da Páscoa, perío-do importante para nossos resultados”, afirma Eliana Almeida Mello Mendonça, proprietária da Stoke, uma grande loja de Santa Cruz que vende roupas, artigos de armarinho, brinquedos, materiais escolares e de escritórios, itens de decoração e presentes em geral. Para driblar a situação, ela se valeu de sua reserva financeira, deu férias a uma parte dos colaboradores e intensificou a comunicação on line, oferecendo kits de diversos tipos para quem está confinado em casa. “Não cobramos taxa de entrega e nos prontificamos e levar tudo que o cliente precisa”, diz a lojista que procura se valer dos produtos em estoque para atender os clientes, o que não é pouca coisa para quem conhece a loja. “Agora vamos focar o Dia das Mães, tanto com itens para se produzir em casa quanto presentes em geral”, afirma.

Acostumada a rodar milhares de quilômetros todos os meses para tirar pedidos de seus clientes, a representante comercial Aldine Rocha Manfrin está há mais de um mês fazendo todo o trabalho em casa. “Faço tudo por telefone ou whatsapp”, diz ela, que também teve que lidar com uma queda no volume de pedidos dos clientes e procura analisar a capacidade de pagamento de quem continua comprando. “O fato de ter um bom relacionamento com os clientes tem ajudado muito a fazer o atendimento à distância”, afirma a vendedora que atende lojas de alimentos para pets, que continuam sendo autorizados a manter as portas abertas. “Todo mundo está se adaptando. Em cidades menores, os lojistas atendem os clientes na loja, com todos os cuidados. Aqui em Franca, estão usando bastante o sistema de entregas. E tem cliente que levou o atendimento para a porta da loja”, conta. Para ela, a qualidade do relacionamento é a principal ferramenta para continuar trabalhando e conseguir manter as vendas nos próximos meses. “Contatei todos os clientes e não falamos só de vendas, mas também da vida”, ensina a representante comercial da Special Dog.

Para Arthur Araujo, presidente da Associação Comercial e Empresarial de de Santa Cruz do Rio Pardo,  a situação traz o desafio de ter que lidar com algo sem precedentes e sem diretrizes a serem seguidas. A entidade que dá suporte ao comércio da cidade, tomou vá-rias medidas logo após o fechamento do comércio, como isenção das mensalidades dos associados por dois meses, o atendimento com hora marcada e o desenvolvimentos de um sistema de e-commerce pra abrigar todos os lojistas em um única plataforma de venda, que está em desenvolvimento. “Estamos nos mantendo atentos a todas as medidas que estão sendo tomadas pelas autoridades sanitárias e divulgando as informações de apoio aos nossos associados”, diz Araujo, dono de uma grande loja de brinquedos e produtos para casa, atualmente fechada. “A união é necessária em todos os segmentos”, avalia.

Ensino à distância e férias antecipadasNão apenas nas empresas a antecipação das férias tem sido uma importante solução. Diante do prolongamento da quarentena, que deve durar mais de 60 dias, escolas, como o Colégio Santo Antonio, em Ourinhos, resolveram antecipar as férias de julho. Já a Unifio, centro universitário de Ourinhos, adotou o sistema de ensino à distância, suspendeu todos os eventos acadêmicos e o uso dos auditórios. Ciente da necessidade de manter uma estrutura mínima funcionado, como a biblioteca e os laboratório, tomando todas as medidas sanitárias determinadas pelas autoridades de saúde.  “A partir de 23/03, iniciamos nossas aulas para o Ambiente Conhecer, espaço virtual em que alunos e professores seguem com suas atividades acadêmicas”, conta o reitor da Unifio, Murilo Ángeli dos Santos. “Tudo foi feito em tempo recorde, em uma operação de guerra capitaneada pela equipe do nosso Núcleo Tecnológico de Educação Aberta”, explica.

Segundo Santos, para superar esse desafio, a Unifio precisou fazer investimentos imprevistos em tecnologia, especialmente em equipamentos e espaço em servidores. O centro universitário também se debruçou em ações comunitárias. “Ampliamos nossas atividades de extensão com parcerias para fabricação de álcool 70° para distribuição gratuita em hospitais, postos de saúde, asilos e sociedade em geral; produção de máscaras de proteção individual para distribuição gratuita para equipes de saúde; e projeto de fabricação de respirador mecânico para pacientes infectados; entre muitos outros”, informa o reitor da Unifio.

Os desafios, segundo ele, não param por aí. “Dependemos muito do pagamento das mensalidades e sabemos que, com o período isolamento social, algumas famílias enfrentarão dificuldades econômicas e poderemos ter inadimplência. Isso nos preocupa muito, especialmente se o período de isolamento precisar ser muito longo”, avalia Santos. “Não podemos parar. Sabemos da importância social da instituição para as regiões do sudoeste paulista e do norte paranaense. Nosso papel nesse cenário de pandemia é essencial e seguiremos com todas as medidas de segurança e muito confiantes”, diz o reitor. Para ele, essa situação mostra a importância da solidariedade. “Agir de forma solidária em parceria com empresas é fundamental para a humanidade e nos torna mais fortes que qualquer pandemia mundial”, conclui.

Mudanças de hábitos e aprendizado Não apenas medidas práticas de segurança e higiene, intensificadas por empresas, comércios, profissionais liberais e a população em geral devem se tornar uma constante no breve futuro, após a epidemia. Muitas lições já estão sendo tiradas da triste realidade mundial. A importância da solidariedade, a união entre vários setores pelo bem comum, o respeito aos limites da natureza como fonte de energia vital para a saúde humana e a reflexão sobre nossos hábitos de consumo, nossas jornadas de trabalho e o tempo dedicado ao convívio familiar são algumas delas.

Nossos entrevistados, também admitem estarem aprendendo muito com tudo isso. “A maior lição é que, através da responsabilidade individual de cada um, pode-

mos gerar um impacto muito grande no bem-estar coletivo. Além disso, percebemos um espírito de solidariedade crescendo na sociedade”, acredita Priscila Manfrim, gerente administrativa da Special Dog.

* Acima, Aldine Manfrim, fazendo vendas por telefone e o uso de máscaras na entrega de produtos obtidos através de trote solidário, da Unifio *

A postura mais solidária com o outros veio para ficar, na opinião da assistente de marketing e vendas da São João Alimentos, Isadora Manfrin Pegorer Nicolau. “Estamos tendo disposição para suprir a ausência dos colegas que estão no caso grupo de risco, assumindo mais trabalho com alegria e sem, com isso, demonstrar que a pessoa ausente não fará falta”, afirma Isadora.

Para Fernando Alexandre Pereira, diretor de operações da Santa Massa, o isolamento social promove um novo olhar sobre a convivência familiar. “Estamos sendo obrigados permanecer mais tempo em casa, com nossas famílias, e podendo dedicar mais tempo a atividades entre filhos e pais, que no ritmo às vezes frenético de nossas vidas, não tínhamos o hábito de realizar. Ou seja, dar mais tempo àquilo que realmente é importante em nossas vidas é algo que gostaria que se tornasse um hábito após a pandemia”, afirma o empresário.

Para Mario Pegorer, estamos também vivendo um momento histórico. “Vivenciar um cenário de “guerra” como este é uma experiência ímpar. É muito difícil mencionar todas as lições que vamos tirar desse período neste momento que ainda estamos vivenciando tudo isso. O fato é que haverá provavelmente mudanças de hábitos, costumes e principalmente na consciência da população mundial quanto à higiene, limpeza e principalmente impactará a forma de comércio e trabalho. Ainda é cedo para concluir, mas logo teremos muitas histórias para contar”, avalia o diretor da Guacira.

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