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Edição 176 - Setembro/20

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Tempos Bicudos

* José Mario Rocha de Andrade
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Que dois bicudos não se beijam, todo o mundo sabe. Também não se falam, não se escutam, nem se encontram, afinal os enormes bicos não permitem.

Esses seres estranhos falam uma língua ainda mais estranha: o que é música para os seguidores de um bicudo, é coisa absurda e ridicularizada para os seguidores do outro bicudo.

Nesse cenário, instala-se uma miopia progressiva que óculos nenhum corrige e a imaginação não mais existe. Nada se enxerga além de seu bico.

Esse é o Brasil de hoje, que enfrenta uma doença gravíssima, ainda não entendida pela ciência, onde quem não sabe, e se pretende entendido, dá opiniões sem saber, inclusive médicos, porque, afinal, ninguém sabe e somos governados por bicudos que, como bicudos, não se falam, não escutam um ao outro.

Temos uma vantagem. A Covid-19 chegou por último aqui. A experiência adquirida pelos países onde essa doença chegou primeiro, com seus erros e acertos, pode nos orientar por um caminho melhor.

O momento pede menos “eu” e mais “nós”, desde que “nós”, sejamos todos os brasileiros unidos.

O momento pede que os bicudos que nos governam engulam seus enormes bicos, abafem seus egos gigantescos. Para que isso aconteça, os seus seguidores, quando forem às ruas para protestar, que seja por união, sem partidarismo, que deixem suas convicções para depois dessa catástrofe que abate sobre nós. Que conversem os políticos, os infectologistas, os epidemiologistas e, para isso, é preciso que os seguidores de todos os lados também engulam seus enormes bicos.

Se continuarmos bicudos, daqui a uns 10 anos, olhando de muito longe, sem miopia, poderemos enxergar o quão ridículos e pequenos fomos, porque o que faz tempos serem bicudos somos nós mesmos.

*José Mário é médico e santa-cruzense, radicado em Campinas

Use a Máscara, pô!

* Fernanda Lira
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O brasileiro é muito cheio de nhenhenhém e mimimi. Também é chegado numa maracutaia e num jabaculê. Dissimulado como poucos, tem uma mania de achar que sabe de tudo, mesmo não sabendo de nada porque tem uma boa preguiça de ler e refletir.

Para completar, o brasileiro é capaz de seguir um líder que sequer o defende ou o considera digno de alguma consideração ou compaixão. Age como gado, é o que dizem.

O fato é que o brasileiro precisa aprender a ser um pouquinho mais educado. 

Rico ou pobre, homem ou mulher, criança, senhorinha, adolescente.

Todo mundo no Brasil precisa ser mais educado.

E ser minimamente educado implica respeitar os outros.

Se sua mão está suja, não cumprimente uma pessoa com ela. Se você foi ao banheiro e a usou para fazer seu xixi, lave-a. Ou guarde-a no seu bolso imundo de bactérias.

Você não pode tocar nada nem ninguém de mãos sujas. Isso é ser muito, mas muito mal educado. Você não pode usar sua mão suja para escolher o tomate na feira, o produto no supermercado, a lata de cerveja, o cartão de crédito ou as notas de dinheiro. Porque sua sujeira vai seguir com esses objetos para outras mãos. E você não tem esse direito.

Em tempos de epidemia, não tem que achar que você dita regras.

Seja educado e use a bendita máscara.

Usá-la não é uma escolha. É uma obrigação.

Precisou se tornar uma obrigação porque o brasileiro é teimoso. Agora, quem não usar pode ter que pagar multa ou ir em cana, é lei no Estado de São Paulo, onde todo mundo se acha muito bem educado, mas não é.

Veja aí na ilustração a eficiência da máscara.

Ela é uma eficiente arma contra a epidemia.

Então, seja minimamente educado e use, mesmo que você não se importe consigo ou com seus familiares. Por educação, use a máscara, pô!

Quem é minimamente educado também não joga lixo nas ruas. Muito menos sob o argumento de que está deixando para o catador. Isso é muita falta de educação.

Junte seu lixo reciclável numa caixa e entregue ao catador, educadamente.

Ele está lhe fazendo um grande favor tirando-lhe a tarefa de dar fim ao lixo que você produz que pode ser reaproveitado. E vai ganhar pouco, pouquíssimo, por isso. E não será você quem vai pagar.

Essas atitudes não devem ser tomadas só em época de epidemia.

Quem é educado, deve ser assim sempre. Se você ainda não sabia, agora já sabe;

Você é brasileiro e não se identificou com essa descrição?

Puxa, que bom. Sorte a sua e de quem tem você por perto.

*Fernanda Lira é jornalista paulistana e adora o interior.

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