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Edição 177 - Outubro/20

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Bastante atingida pela epidemia, Santa Cruz tem vencido a morte

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Enquanto muitas cidades lutam para conter a epidemia encarando óbitos que gostariam de ter evitado, Santa Cruz do Rio Pardo segue com um número crescente de casos e sem nenhum óbito. O que faz a cidade de apenas 45 mil habitantes ser tão competente no tratamento da Covid-19?

 

Pra começar, a equipe qualificada do hospital, que inclui médicos e enfermeiras, além de toda a turma que dá suporte ao trabalho desses profissionais, mantendo o hospital limpo e estruturado para receber os pacientes. Aliada a isso, está a determinação do poder público em tomar todas as providências possíveis para estruturar o hospital de modo a prestar o melhor atendimento possível aos pacientes. Isso inclui um considerável investimento da prefeitura, que contou com a contribuição, em parte, de empresários que se dispuseram a ajudar financeiramente.

 

Para saber em detalhes, como este desafio está sendo enfrentado, conversamos com exclusividade com o Dr.  Jonas Jovanolli, diretor médico da Santa Casa e conceituado médico da cidade. “Estamos oferecendo a todos, sem distinção, um tratamento da mais alta qualidade, do padrão dos melhores hospitais do país”, afirma o médico, referindo-se ao sistema de Fila Única, adotado desde os primeiros casos, que garante o mesmo protocolo de atendimento a qualquer pessoa.

 

Pergunto qual o diferencial praticado na cidade. “De cara, fazemos uma tomografia para saber qual o estado do paciente. E fazemos a internação imediata para que seja tratado. Isso tem ajudado a evitar que a doença passe para os níveis mais severos na maioria dos casos”, explica.

 

Quanto aos casos mais sérios, ele conta que está aplicando os mais efetivos medicamentos e tratamentos. “O uso de determinados medicamentos virou uma questão política, o que é um erro”, avalia.

 

Estamos em plena epidemia – Sobre a teimosia de boa parte da população em admitir a epidemia, Dr. Jonas é taxativo: o aumento de casos é alto e isso coloca em risco a qualidade do atendimento prestado até o momento, que tem garantido a sobrevivência de todos os pacientes. “Se tivermos muitos casos, não teremos condições de garantir esse padrão elevado da qualidade do atendimento”, destaca o médico, alertando também para a quantidade de leitos na UTI do hospital. “Temos que combater a epidemia para que não falte leitos e ninguém tenha que ser transferido para outra cidade”, explica.

 

Atitude responsável – Para que não haja essa possível queda no padrão de atendimento, o médico pede que todos ajam com mais responsabilidade, adotando as medidas de segurança, como distanciamento social (mínimo de 2 metros), evitar contato físico, mesmo entre familiares, usar máscara quando estiver convivendo ou em local com mais pessoas e higienizar as mãos, objetos e ambientes.

 

Assim como toda a equipe do hospital, Dr. Jonas vive sob um rigoroso controle pessoal para evitar a contaminação. “Eu deixo as roupas de atendimento médico aqui no hospital e uso todos os equipamentos de proteção. Chego em casa, coloco a minha roupa para lavar, tomo um banho. Esses cuidados básicos estão evitando que muitos fiquem doentes. É importante que todos adotem essas práticas pois o contágio do coronavírus é muito rápido e está assumindo novas proporções, precisamos controlar a epidemia para que possamos manter esse atendimento diferenciado para todos”, ressalta o diretor técnico da Santa Casa.

 

Previsão de relaxamento – Aos que insistem em minimizar a situação, relaxando a prevenção, seja deixando de usar máscaras ou participando de eventos sociais, mesmo em pequenos grupos, o médico ressalta que o vírus é de alta trasmissibilidade e como não há remédio específico nem vacina, estamos sujeitos a novas on-das de epidemia. “Pode acontecer da pessoa contrair a doença mais de uma vez. Além disso, quem tem alta deve cumprir rigorosamente a quarentena e permanecer 14 dias isolada em sua casa, sem contato com a família e com esterilização de objetos”, avisa o médico.

 

Só o controle salva – Apesar do sucesso do atendimento que a equipe médica de Santa Cruz está conseguindo, evitando que os pacientes venham a óbito, Dr. Jonas pede que as pessoas não se exponham tanto. “Estamos lidando com uma doença que pode até não se manifestar em alguns pacientes, pode surtir efeitos fáceis de solucionar em muitas pessoas, mas que pode se agravar em muitos casos, inclusive em jovens que tendem a demorar para procurar ajuda.

À frente da equipe que está trabalhando incansavelmente para recuperar todos os pacientes de Covid-19, o Dr. Jonas deixa seu recado: “Se vocês não se respeitam, respeitem os profissionais da saúde. Eles arriscam a vida por vocês”.

AJ sofre há 80 dias num hospital

por *Mario Benedito Rocha de Andrade – especial para o 360

Nos últimos meses, a vida se tornou mais frágil do que ela é.  Não digo o nome do meu amigo porque ele não está em condições de me autorizar a citá-lo numa matéria de jornal. Vou chamá-lo de AJ. Ele já está há mais de 80 dias internado num hospital do Rio de Janeiro e os médicos não sabem quando poderá sair.

 

Foi diagnosticado com covid-19 no início de abril. Quase 30 dias depois, recebeu alta, quando os testes para a doença deram negativo. Foi um alívio geral. AJ tem quatro filhos, uma neta, um irmão e muitos amigos espalhados pelo mundo. Dois dias depois, no entanto, precisou voltar ao hospital com um quadro muito forte de pneumonia. Foi internado novamente e, passados cerca de 30 dias, precisou ser sedado e submetido a ventilação mecânica, um processo também conhecido como entubação. A covid-19 ha-via voltado.

 

Ficou 14 dias entubado, que é o tempo máximo que uma pessoa pode receber esse tipo de tratamento. Vencido esse prazo, precisou fazer uma traqueostomia. Segue em coma induzido há mais de três semanas.

 

AJ sempre foi um homem forte, praticante de surf e natação, fez 61 anos em maio, antes de ser entubado, num quarto frio de hospital. Na foto que postou em rede social naquele dia, exibia otimismo e confiança.

 

Há 10 dias, AJ pegou infecção hospitalar, um dos riscos da traqueostomia. Mas venceu mais esse round de uma luta que tem se mostrado longa, sofrida e dolorosa. Se ele estivesse num hospital com menos recursos, talvez já tivesse partido.

 

Quando vejo pessoas desprezando os cuidados para evitar o contágio do coronavírus, penso nos amigos e familiares do AJ que diariamente se unem numa corrente virtual para fazer suas preces e orações pela recuperação dele.

 

O descaso com o distanciamento social, com o uso de máscara e com a higiene com água e sabão e álcool gel é uma afronta desumana à dor daqueles que sofrem diariamente com parentes e amigos atingidos pelo coronavírus.

 

Quando vejo pessoas se abarrotando no comércio, fazendo festinhas e churrascos, quando vejo rostos sem máscaras de proteção, aumenta a minha agonia com o risco de contágio a que as cuidadoras da minha mãe idosa, que vive em São Paulo, estão sendo submetidas. Um risco que atingiu  um amigo e que pode chegar à minha mãe.

 

O que será preciso acontecer para que as pessoas tomem consciência de que a vida de cada um depende do comportamento da coletividade? O que precisa acontecer para que as pessoas se deem conta de que quando eu uso máscara eu protejo você e de que você me protege quando usa máscara? Será preciso que passem pelo que os filhos e amigos do AJ estão passando? E tantos outros que já passam de um milhão no Brasil? Não desejo esse sofrimento a ninguém.

 

Por isso, se proteja, proteja seus familiares e amigos e vizinhos, use máscara, evite aglomerações, lave as mãos, ouça o que os médicos têm a dizer. Se pode, fique em casa. Seja responsável. Não odeie, ame!

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