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Edição 176 - Setembro/20

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A violência à distância invade a nossa casa

Foram dois assaltos virtuais na minha família em menos de seis meses. No primeiro, minha mãe, então com 88 anos, ficou mais de cinco horas refém de bandidos inescrupulosos. Cínicos e desumanos, conseguiram tirar dela todas as informações sobre sua segurança bancária, quanto tinha de dinheiro em casa e as joias que estava usando. Também a obrigaram a fazer café, pois estariam chegando para pegar o que ela tinha que lhes entregar: cartão do banco com senha, joias e dinheiro.

A violência à qual minha mãe foi submetida quando se encontrava na companhia de uma auxiliar de enfermagem, que juntamente com ela foi torturada psicologicamente, o que, no caso da jovem, durou mais de sete horas, começou às 3h00 da madrugada.

Eram pouco mais de 8h00 quando apareci na porta de sua casa e a vi ao telefone. Ela estava completamente transtornada, pois acre-ditava que eu estava refém dos bandidos. A minha reação, infelizmente, foi tão emocional quanto a dela: espantei os bandidos com meus gritos ofensivos à violência que estavam praticando.

Ligações ao banco, à polícia, à família da jovem enfermeira, para as irmãs. Corrida até à delegacia, calmante para a mãe. Depoimentos e a mais tensa espera por notícias da jovem que saiu pouco antes de eu chegar com o cartão do banco e as joias. Depois de transferir o que o caixa eletrônico permitia para uma conta do bandido e sacar a quantia também autorizada pelo banco, ela seguiu com o dinheiro que minha mãe tinha em casa para a lotérica, onde fez mais dois depósitos. Todos para agências Bradesco e CEF do Rio de Janeiro. Passou o resto do tempo percorrendo joalherias na vã tentativa de vender as joias.

Controlada pelo celular, era ameaçada de morte e estupro, garantindo estar sendo vigiada por motoristas ocupando carros e motos. Tudo à distância, exceto a violência.

A polícia pouco fez. Com a tranquilidade de quem lida com casos semelhantes todos os dias, foi quase cínica na sua calma. Mesmo com o desaparecimento da jovem, que só deu notícias quando, desesperada por não conseguir vender as joias, arriscou entrar numa unidade de moto-taxi e fugiu até a sua casa, de onde ligou apavorada para a irmã, que também estava na delegacia.

Coube a mim ir aos bancos documentar o caso. Ir à lotérica levantar os horários e dados das contas dos depósitos. A Polícia Civil fez apenas um Boletim de Ocorrência, primeiro com o depoimento de minha mãe, depois com o da jovem enfermeira, a quem chegou a acusar de possível cúmplice da ação, enquanto estava desaparecida.

Nunca tivemos qualquer retorno a respeito de uma esperada busca pelos responsáveis, os correntistas das contas do Bradesco e da CEF, que ficaram com o dinheiro.

Esse caso, que dista tanto da linha editorial deste jornal, está sendo publicado por uma razão muito simples: são os aposentados as principais vítimas de assaltos virtuais.

É na calada da noite, quando estão desprotegidos da companhia dos filhos, que os bandidos agem, certos que são da facilidade dessas pessoas obterem empréstimos on line com toda a facilidade que

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