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Edição 177 - Outubro/20

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Por que meu filho é diferente?

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Mesmo sabendo que cada um é cada um, muitos pais sofrem com filhos que fogem do padrão

O filho não tira boas notas na escola. Vive desligado. Ou não para quieto. A filha é a aluna com as melhores notas da sua sala. Mas não sai para brincar com outras crianças. É o que basta para muitos pais começarem a pressionar seus filhos a terem um comportamento “normal”.  

Movidos a uma preocupação exacerbada e boa dose de projeção sobre a vida dos filhos,  muitos pais passam a exigir da criança e do adolescente um padrão de comportamento e reagir mal quando isso não acontece. Ao mesmo tempo em que reconhecem que cada filho tem seu jeito de ser e personalidade –“nem os dedos das mãos são iguais” –, os comparam entre si e, pior, com colegas da escola, primos e qualquer outra criança e jovem da mesma idade.

Naturalmente, observar o comportamento e desenvolvimento do filho e procurar ajuda quando ele foge demais do padrão, é dever dos pais. Mas querer ajustá-los na marra, muitas vezes à base de medicamentos, é seguir um procedimento questionável. Ou seja, antes de medicar seu filho, mesmo que sob supervisão médica, procure mais opiniões e alternativas naturais para o seu desenvolvimento. Procure saber se há algum problema com o jeito de ele ser. Ouvir professores e coordenadores de ensinam pode ajudar a evitar cobranças indevidas dos pais.

* Layss Pinheiro, participa de debate sobre educação durante a FLISC 2018, Feira do Livro de Santa Cruz, realizada pelo Colégio Camões, onde ela leciona * *

A educadora Layss Pinheiro é doutora em Literatura e leciona há quase 30 anos. Professora das séries da Educação Básica no Colégio Camões, em Santa Cruz do Rio Pardo, ela nos ajuda a avaliar o conceito de padronização de comportamento de crianças e adolescentes:

360: Como educadora, qual sua avaliação a respeito das particularidades de cada criança e adolescente?

Layss Pinheiro: Cada criança é um universo a ser desvendado e a ser acolhido. Os adultos são responsáveis por ajudá-las a conhecer a si mesmas, suas singularidades físicas, emocionais e comportamentais de maneira que possam desenvolver autoestima serem felizes e saudáveis. Na escola, a criança adentra em um ambiente propício para interagir, conhecer as diferenças e se reconhecer como diferente. Vejo a escola como um ambiente que favorece a estruturação da identidade, de sua autoimagem e de valorização e respeito à diversidade.

360: Muitas escolas orientam pais a procurarem ajuda psicológica para filhos que fogem de um padrão de comportamento. Isso não seria uma forma de induzir os pais a padronizarem os filhos?

Layss Pinheiro: Entendo que não é a “fuga de um padrão de comportamento” que pode levar a escola a orientar os pais a procurarem orientação psicológica, mas quando o comportamento da criança apresenta indícios de que algo não vai bem com ela. Uma criança muito agressiva, muito inquieta, que fica tentando chamar atenção exageradamente pode ser sinal de distúrbios que, se não tratados por profissionais, podem comprometer a aprendizagem e a convivência saudável com os pares.

360: Quais as vantagens e desvantagens para a criança em ter seu comportamento padronizado?

Layss Pinheiro: Nenhuma padronização é saudável. A criança deve ter liberdade de ser e expressar aquilo que ela é.

360: Como as demais crianças reagem a colegas que fogem do padrão?

Layss Pinheiro: As crianças estão abertas para aprender. Se forem ensinadas a respeitar, se conviverem em ambiente que respeita a diversidade, irão, naturalmente, aprender a respeitar o outro. Obviamente que, pelo fato de vivermos em uma sociedade em que a intolerância e o preconceito estão presentes em todos os espaços, as crianças acabam reproduzindo isso ao chegar no ambiente escolar. Cabe às instituições escolares – e esse é seu papel – cultivar o respeito às diferen-ças das mais diversas formas. Por exemplo, através de projetos, de leituras, de encenações, entre outros.

360: Como educadora, que dica você daria aos pais de crianças fora do padrão?

Layss Pinheiro: Antes de mais nada, não acredite em padrão. Se um adulto idealiza um padrão para uma criança, muito provavelmente ela vai acreditar que só vai ser amada se for aquilo que esperam que ela seja. Penso que deveríamos voltar nossos olhos para as crianças com um olhar menos questionador e mais acolhedor, menos crítico e mais flexível. Acredito que o único caminho para a felicidade plena é ser quem você é. Então: que os adultos ajudem as crianças a saberem quem elas são.

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