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Edição 183 - Abril/21

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Lar da Criança faz 70 anos com fôlego e renovado

Locução: Flavia Simões Gonçalves

Mario Sérgio Manfrim e Cássia Campidelli (à direita) com duas voluntárias que por anos cuidaram do“Lar da Criança”: Odete Adorno (à esquerda) e Nadir Romualdo.

O Bazar do Lar , abastecido com itens de qualidade doados por empresas e pessoas da cidade

Uma entidade beneficente, por sua razão de ser – ajudar os menos favorecidos – sempre está às voltas com o desafio de gerar recursos para o seu sustento. Ou seja, sofre com a questão da sustentabilidade, inerente a qualquer empreendimento, seja ele para interesses privados, públicos ou comunitários. O “Lar da Criança”, entidade que acolhe menores em situação de abandono, negligência ou risco de Santa Cruz do Rio Pardo, chega aos 70 anos com fôlego, renovado e devidamente encaminhado para o auto-sustento.

Criada por membros de uma congregação espírita no dia 19 de novembro de 1950, a entidade sem fins lucrativos se concentrou no acolhimento de meninos até 18 anos, o que levou a ser chamada de “Lar Espírita” por uns e “Lar dos Meninos”, por outros. Com a instituição do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), em 1990, o “Lar”, como é hoje conhecido, passou a abrigar também meninas menores de idade. Em 2019, com a necessidade de atender maiores sem condições de se estabelecer socialmente, a entidade criou a  Residência Inclusiva “Fonte de Amor”, dedicada ao público masculino. Para tanto, o “Lar” cresceu e organizou-se. E caminha a passos largos para uma situação que lhe permitirá depender cada vez menos de donativos e verbas públicas.

Administração e carinho – A mudança de ares da entidade, que vinha sofrendo com o desgaste de ter que abrigar até 80 crianças, começou em 2015 quando a diretora Alice Cabral Rheder Nardo convidou o empresário Mario Sérgio Manfrim, dono de uma das maiores empresas da região, para dirigir a entidade. Já frequentador da casa, que visitava para dar atenção às crianças, Mario assumiu a direção do “Lar” adotando seus internos da mesma forma com que trata os colaboradores de sua empresa, que, aliás, aceitaram participar da administração e manutenção da entidade: com amor e profundo res-peito. Isso significou reestruturar e capacitar a equipe de profissionais que cuidam da entidade e dos acolhidos, reformar as instalações que estavam bastante depreciadas pelo tempo e pela falta sistêmica de recursos, e desenvolver um plano de ações para geração de renda a curto, médio e longo prazos.

Para gerar os recursos imediatos, Mario agiu com duas fontes de captação. A primeira, levando a própria empresa a colaborar sistematicamente com a entidade e criando uma campanha de doação mensal junto aos colaboradores. Também fomentou o bazar de roupas e objetos seminovos e usados da entidade , que hoje funciona de forma muito bem organizada, como uma loja. 

Cuidar do presente com foco no futuro – Para completar a geração de renda, o novo diretor criou uma grande festa julina, realizada com a participação voluntária de empresas da cidade e profissionais de infra-estrutura e entretenimento. Reunindo milhares de pessoas num animado evento caipira em pleno centro da cidade, a festa tem muitas atrações, inclusive com a apresentação das crianças e internos da entidade, muitos quitutes e faz tanto sucesso que nos últimos dois anos foi estendida para o domingo, com a realização de um almoço que já começa com todos os pratos vendidos. “Este ano, por causa da pandemia, tivemos que cancelar e fizemos apenas um delivery do Yakissoba e sobremesas, mas ano que vem, se Deus quiser, o ‘Arraiá do Lar’ estará de volta”, faz questão de avisar o diretor da entidade.

O tamanho do evento anual é proporcional à renda que ele gera. Os recursos gerados pelas festas são usados para custear o visionário plano de auto-sustento para médio e longo prazos: o aproveitamento imobiliário da grande área que circunda a entidade, onde já havia locação de espaço para uma grande horta, uma floricultura e uma academia, cujos alugueis revertem para o “Lar”. “A entidade possui alguns imóveis que estão alugados e ajudam nas despesas. Decidi então ir desmembrando o terreno em torno da casa e construir casas e pontos comerciais, que são alugados, aumentando a renda mensal da entidade”, explica o diretor.

Segundo ele, o projeto imobiliário se desenvolve de duas formas: com a renda das festas julinas – cada duas edições do “Arraiá do Lar” financiam a construção de um imóvel – ou por comodato, quando  o inquilino arca com os custos da obra em troca de um período de isenção do aluguel, constituindo um investimento para ganhos no futuro. “Atualmente temos neste terreno a horta, três casas residenciais e três pontos comerciais, sendo um consultório, um pet shop e uma grande loja e de presentes, que já alugou outro terreno para ampliação do empreendimento”, conta Mario.

A qualidade das edificações, a localização no centro da cidade e o caráter benemerente do aluguel, tornam os imóveis diferenciados. “É uma rua movimentada e com muito espaço para estacionar, não tem zona azul. Estamos muito felizes com o retorno que estamos tendo. Tanto que já fechamos mais um contrato de comodato para ampliar o empreendimento”, diz Letícia Crivelli, que abriu uma grande loja de presentes através do sistema de comodato e está muito satisfeita com o resultado. “Mesmo inaugurando em plena epidemia, estamos indo muito bem”, diz a comerciante que acredita que pagar um aluguel para uma entidade tem um diferencial de satisfação e sorte. “Se você perguntar para os outros comerciantes, todos vão concordar que aqui temos algo muito especial”, afirma.

 

Aqui tem carinho – A sensação de caridade efetiva que permeia as palavras de uma das inquilinas dos imóveis do “Lar”, faz todo sentido. A exemplo do slogan da marca que estampa milhões de produtos da sua empresa, Mario levou para a casa de abrigo também o seu coração. Primeiro, passou a frequentar a casa com mais frequência e abriu também as portas da sua casa para todos. No Natal, é lá que que eles se reúnem, com direito a receber das mãos do Papai Noel exatamente aquilo que pediram. Sua visão humanitária também envolveu fomentar a presença das famílias das crianças na entidade. E o resultado desse esforço de reintegração familiar foi festejado por ele na missa que reuniu poucas (por causa da epidemia), mas importantes pessoas da história dos 70 anos do Lar.  “Hoje temos apenas cinco crianças acolhidas na casa, além dos adultos. Isso para mim significa estarmos vivendo o melhor ano da entidade, pois nada é melhor para um criança do que viver com sua família”, destacou, claramente emocionado.

O diretor da casa de acolhimento, aliás, acredita que este deve ser o objetivo de uma casa de acolhimento. “A entidade de abrigo é muito importante, mas os poderes públicos deveriam investir mais na formação e estruturação familiar, que com certeza seria muito mais barato e lucrativo para a sociedade”, avalia.

Para as crianças que continuam na entidade e as que precisarem de abrigo, o “Lar da Criança” permanece de portas abertas, com uma estrutura totalmente renovada e um espírito de solidariedade muito bem traduzido pela coordenadora administrativa, Cássia Amélia Campidelli Saito: afeto, carinho e muito amor. Todos os dias.