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Edição 181 - Fevereiro/21

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Água é a fonte de todo negócio

A disponibilidade de água para abastecer a indústria é fundamental para a viabilidade do negócio. Executivos que respondem pela área ambiental e sustentável das empresas devem se envolver na questão que atinge o Rio Pardo, alvo de projetos de barragens que podem comprometer sensivelmente o volume de águas disponível para o setor. Veja o que diz sobre o assunto, o gerente de desenvolvimento sustentável da Special Dog, João Paulo Camarinha Figueira

360: João, você é gerente de sustentabilidade de uma indústria de alimentos em Santa Cruz do Rio Pardo. Quanto a água, e a sustentabilidade do abastecimento de água natural, são importantes para uma indústria?

João Paulo Camarinha Figueira: Água é fundamental. Nós não desempenhamos nenhuma das nossas atividades sem água. Então, todo cuidado, toda preservação para que a gente mantenha esse abastecimento e, posteriormente, para que toda água que nós utilizamos seja devolvida da forma que a encontramos, também faz parte de uma relação consciente que preserva esse recurso natural tão importante para nós.

360:  A água disponível em Santa Cruz é um diferencial para a indústria?

João Paulo: Sim. A gente não consegue, de forma alguma, pensar em outra forma de ter água disponível para os nossos processos e para o consumo de forma geral, em boa parte da cidade, senão pelo abastecimento das águas do Rio Pardo. Outra solução alternativa são os poços profundos, mas que também precisam da nossa preservação, para que a água esteja sempre disponível para ser captada.

360: Você diz que a indústria depende bastante da água e tem a maneira certa de devolvê-la ao meio ambiente. Como é essa devolução?

João Paulo: Hoje, na Special Dog, 100% da água utilizada vem de poços profundos. É uma água pura, muito limpa e de excelente qualidade. Ela vem, em sua grande maioria, do aquífero Guarani. Somos privilegiados por estarmos sobre o Guarani. Depois de todos os nossos usos, seja consumo doméstico ou consumo industrial, toda essa água vai para a nossa Estação de Tratamento de Efluentes. Nós temos duas estações, uma que trata o efluente sanitário, doméstico, proveniente dos banheiros e do refeitório; e outra que é a estação do efluente industrial, que é a água que foi utilizada nos processos industriais. Nós temos controles bastante rigorosos sobre a qualidade dessa água e, hoje, trabalhamos com um índice de eficiência no tratamento acima de 98%.
Então, aquela água que coletamos lá no início, é praticamente toda devolvida para o meio ambiente, no Ribeirão Mandassaia, que é um ribeirão classe II. Nós, inclusive, diluímos a poluição do ribeirão. Então, a nossa água, a água que colocamos no ribeirão, melhora sua classificação.

 

João Paulo Camarinha Figueira teve toda disposição para conferir de perto e nacompanhia de especialistas, a expedição para avaliar a situação do rio Pardo.

360:  Vocês coletam a água de chuva?

João Paulo:  Sim. Nós entendemos que a gente tem, a todo momento, que mitigar o volume consumido. Então, hoje, 33% de todo volume de água consumido na Special Dog já vem de fontes alternativas. Uma delas é o Projeto Guarda Chuva, de captação e uso de água de chuva. A gente aproveita uma área grande de telhados e faz a coleta através de calhas que direcionam a água para reservatórios que totalizam 1,5 milhão de litros, o que, num período de estiagem, substitui, em até 40 dias, o uso de água potável. A gente ainda não consegue usar essa água na produção, em contato com o nosso produto, mas utilizamos essa água para o lavador de caminhões, para irrigação, limpeza de pátios e, também, nas bacias sanitárias e descargas.

360: É muito caro ter toda essa estrutura para compensar a água, como coletar água de chuva e ter a água tratada da maneira que a Special Dog conseguiu implantar?

João Paulo: Quando a gente fala de um bem fundamental para a existência, para a sobrevivência, qualquer investimento se torna baixo. E, por se tratar de uma empresa grande, nosso investimento acaba sendo maior. Mas é algo totalmente aplicável na nossa casa, no comércio e em empresas menores. A gente já vê isso acontecendo, existem formas bastante acessíveis de captação de água de chuva para o uso na irrigação, limpeza de calçadas. É muito viável em residências e pequenos comércios.