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Edição 183 - Abril/21

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Ainda a velha vacina

*por José Mario Rocha de Andrade, médico santa-cruzense radicado em Campinas
Locução: Alexandre Paulino

Presente entre nós desde 10.000 anos A.C., um vírus originário do camelo causou a doença conhecida como “O horror”, a varíola, que matava 30% dos infectados e deixava a pele bexiguenta, cheia de marcas, nos que sobreviviam. Mas havia uma exceção. A pele suave, lisa, sem marcas, fazia das mulheres que ordenhavam as vacas na Inglaterra do século XVIII as mais bonitas do país.

Em 1.808, quando Dom João VI chegou ao Brasil fugindo do exército de Napoleão Bonaparte, em sua comitiva estava sua esposa, Carlota Joaquina, com a pele de seu rosto marcado por cicatrizes das “bexigas” da varíola.

Edward Jenner foi um médico da zona rural da Inglaterra do século XVIII e observou que as mulheres que ordenhavam as vacas pegavam a varíola bovina, uma doença mais leve do que a varíola humana infectando somente as mãos dessas mulheres que, curiosamente, não se contaminavam pela varíola humana preservando suas vidas e a pele de seus rostos.

Edward Jenner não parou na observação e retirou o material de uma das pústulas da mão de uma mulher contaminada pela varíola bovina e o introduziu em um garoto de 8 anos, filho do jardineiro. Esperou 6 semanas e o contaminou com o material da varíola humana. Resultado: o menino não ficou doente com a varíola humana. Repetiu a experiência em mais 21 pessoas com sucesso e, 100 anos antes da descoberta do vírus, foi criada a primeira vacina recebendo seu nome em referência à vaca.

Louis Pasteur, meio século depois, propôs que as doenças eram causadas por algum tipo de “vida diminuta” e o nome vírus somente foi criado na virada do século XIX para XX.

O homem foi à lua, conversamos com imagem com o outro lado do planeta, fazemos cirurgias microscópicas, mas a medicina ainda não sabe curar a gripe, ou o resfriado e, frequentemente os médicos prescrevem o remédio da vovó para tratar essas viroses: chá e cama.

Nunca em sua história os cientistas se puseram a trabalhar intensivamente para entender e aprender a lidar com essa “vida diminuta”. 

A história também conta que, toda vez que o ser humano se dispõe a trabalhar com afinco, ele conquista, e, por mais que estejamos esperando por uma vacina que nos proteja da SARS-COVID19 o mais rapidamente possível e é isso o que temos agora, tenho confiança que, ao longo e ao fim dessa batalha sairemos com um conhecimento sobre o vírus muito além da vacina e teremos um remédio diferente e muito melhor, em nível de um smartphone top de linha, do que o Dr. Edward Jenner descobriu 224 anos atrás.

A Civilidade a 17km da Barbárie

*por Fernanda Lira, jornalista paulistana que adora o interior

Quem costuma ler esta minha coluna sabe que amo o interior. Sou paulistana da gema, mas adoro percorrer, observar e saber o que acontece nas pequenas cidades por onde o jornal 360 circula.

Estava eu comemorando a vitória do candidato que além de ser cria do PSOL é assumidamente gay em Santa Cruz – e a razão é simples: por mais natural que isso seja pra mim e deva ser pra todo mundo, ainda vivemos sob grandes e violentas ondas de homofobia. Então, constatar que essa questão não pesou para que o eleitor de Santa Cruz do Rio Pardo decidisse seu voto é motivo de aplausos. Parabéns!!! Vocês provaram que estão em dia com a lição de casa do bom cristão. Pelo que sei, essa questão também não foi usada pelos oponentes do candidato eleito. O que só aumenta minha admiração e meu grito de Bravo!!!!! ao povo santa-cruzense, sem exceção.

Mas eis que minha alegria durou muito pouco. O mundo do jornalismo é assim mesmo, mal temos uma notícia boa, aparece outra danada de ruim. Nesta manhã de segunda-feira, vejo um filme de uma carreata da vitória numa cidade vizinha, São Pedro do Turvo, que mostra eleitores comemorando a reeleição do candidato à prefeito sobre uma chapa feminina com cenas explícitas de violência contra a mulher. Inclusive simulando um estupro depois de açoitá-las veementemente com barras de bandeiras gigantes. Um horror que deveria levar aquelas pessoas à prisão, inclusive mulheres que estavam ali, em torno, festejando a violência simulada em duas bonecas em tamanho natural, amarradas a uma caminhonete enquanto eram violentadas.

Naturalmente, a notícia se espalhou feito pólvora e eis que num dos jornais da região, a primeira dama do prefeito reeleito comenta a situação minimizando a atitude dos agressores ao informar que a práti-ca de malhar bonecos é uma tradição da cidade que ela não apoia, mas que enquanto estes malhavam bonecos, uma candidata a vereadora da situação teria sido agredida pela oposição.

Alguém pode avisar a essa senhora que muitas tradições que ferem os direitos humanos e a integridade feminina devem ser simplesmente abolidas? Sororidade é fundamental em toda e qualquer circunstância.