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Edição 183 - Abril/21

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Carros, estradas, pessoas

José Mário Rocha de Andrade – *médico santa-cruzense radicado em Campinas
Locução: Alexandre Paulino

Viajar de Santa Cruz a São Paulo de carro nas décadas de 50 e 60 era uma aventura com direito a piquenique, os sanduíches de pão feito em casa e chamarisco (pernil desfiado com molho de tomate, uma delícia que as crianças adoravam) e a atolar o carro no areião, (ou deslizar na lama quando chovia) da Rodovia Raposo Tavares que, inaugurada em 1937 pelo Governador Washington Luís com seu lema: “Governar é abrir estradas”, começou a ser asfaltada somente em 1954, o que levou 20 anos.

De São Paulo a Santos, pela Via Anchieta, inaugurada em 1947, aberta ao trânsito em 1953 com seus 8 túneis e 58 viadutos era pura emoção e encanto com suas inúmeras curvas sobre precipícios em meio à Serra do Mar, com sua mata fechada, suas quedas d’água, o mar que surgia e sumia na paisagem.

Na descida, cuidado com os freios, na subida o motor esquentava tanto que, por vezes, a água do radiador fervia e, carros parados no acostamento com o capô aberto saindo vapor d’água em ebulição para que o motor esfriasse faziam parte da paisagem.

De São Paulo, às vezes, íamos até o Rio de Janeiro. A Rodovia Presidente Dutra duplicada, asfaltada, assim como a Via Anchieta, nos co-locava no primeiro mundo e em janeiro próximo completará 70 anos de sua inauguração.

Chegar em São Paulo, ou no Rio de Janeiro era outra aventura. Sem Waze, GPS, com mapas ruins, o jeito era perguntar. Com a ajuda do paulistano, sempre atencioso e prestativo, chegávamos ao nosso destino, mas, no Rio, papai ficava impressionado com a postura do carioca que, feliz por receber alguém de outra cidade, muitas vezes desviava de sua rota e dizia: “Pode me seguir que eu levo vocês lá”.

Bons tempos em que os carros eram ruins, não havia freios ABS, cinto de segurança, air bags, telefone. As falhas mecânicas eram comuns, as estradas, em sua maior parte, também ruins, pouquíssimos postos de combustível, não havia comunicação, não havia no que confiar, a não ser nas pessoas que também estavam nas estradas.

Acha que sabe, mas não!

*por Fernanda Lira, jornalista paulistana que adora o interior

O problema no Brasil é a ignorância. Calma, não se ofenda. Não aja como um “ignorante”, como costumam ser chamados os que se recusam a ouvir e acreditam que assim mantêm sua autoridade e, o que é pior, tornam-se conhecedores, senhores da razão. De fato, muitas vezes essas pessoas estão erradas. Ou equivocadas. Então, seja civilizado: procure aprender e aprimorar-se sempre. Pra isso, abra seus ouvidos antes de estressar.

O Brasil é realmente um país onde a educação foi alvo de descaso por décadas, aliás, ainda é. E estamos pagando o preço disso. Tanto que chega-se ao ponto de muita gente se deixar enganar. Inclusive aqueles que são notadamente vítimas da nossa sociedade, que historicamente dizimou seu povo, aqueles que aqui vivem por direito.

Índios, negros, imigrantes, trabalhadores, operários, pequenos produtores, mulheres, crianças, idosos… em maioria nos casos se deixam governar por quem assumidamente só pensa em explorá-los para desfrutar do alto padrão de vida que o poder proporciona.

Carros, serviçais, aviões, helicópteros, hoteis, jantares, roupas… tudo é custeado pelo dinheiro que a sociedade destina a quem incumbe, pagando muito bem por sinal, de zelar por ela. É como se você contratasse um funcionário que não fizesse nada, fosse servido por você e você ainda lhe pagasse um salário. Ou seja, não faz o menor sentido.

Isso é sinal de pura ignorância. E, de novo não se ofenda. Ignorar não é pecado, não é crime, não é vergonha. Ignorar é desconhecer. Apenas isso. E não adianta se valer de artifícios para dar pinta de “sabedor”. Nem se valer da sua fortuna, da sua educação coronelesca, da subserviência pela qual você é cercado, com pessoas prontas para concordar sem você sem nem piscar os olhos. Isso não vai tirar você da ignorância. Também não adianta se valer de brados, gritos ou argumentos sem fundamentos. Quem não sabe, não sabe.

A ignorância cega. Ela não esclarece. Ela confunde. Ou seja, ela leva você frequentemente a estar errado. Inclusive porque ao apegar-se a ela, você passa pelo ridículo de insistir em estar certo, quando está errado.

O Brasil tem provado ter um povo majoritariamente ignorante. O que não quer dizer que sua gente ignorante não inclua bons médicos, empresários, engenheiros e qualquer outra atividade que exija inteligência, estudo e perspicácia. Entenda, ser ignorante não é ser imbecil. A imbecilidade também se mostra latente por aqui, mas não é o tema deste nosso encontro.

Com tantos ignorantes, incluindo pessoas muito bem sucedidas, a única forma de proteger as nossas reservas, que nos dão autonomia enquanto nação, é delegar ao setor público cuidar de questões essenciais. E elas constam em algo que todo ignorante conhece pouco, muito pouco: nossa Constituição. Ela é nosso manual de cidadania. E evoluir não é tentar mudar nela aquilo que vai contra a sua vontade, pois senão não seríamos uma nação. Evoluir é tratar de, no mínimo, cumprir o que ela determina. E se organizar de maneira fundamentada e civilizada para mudar o que se mostra improdutivo e infrutífero para o bem comum.