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Edição 182 - Março/21

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Apicultura: um mercado em expansão ancorado na sustentabilidade

jornal360

Um alimento, puro, que vem pronto da natureza, não perde a validade e faz bem à saúde, prevenindo doenças. E mais, que não representa um problema para os defensores da natureza e dos animais, tampouco se contamina com agrotóxicos. Assim é o mel, conhecido como o alimento mais antigo da humanidade. Produzido de forma artesanal até a década de 80 do século passado, ou seja, há menos de 50 anos, o mel brasileiro é hoje um produto de grande destaque mundial por sua qualidade. Mas ainda tem uma representatividade tímida em razão da produtividade, ainda bem distante dos maiores produtores mundiais, como a China e a Argentina, apensar de suas mais de 46 mil toneladas/ano. É também no mercado internacional que o mel brasileiro mais encontra portas abertas, já que mais de 60% da produção segue para a exportação. A razão é simples: ao contrário dos europeus e americanos, que consomem mel cotidianamente, o brasileiro não tem o hábito de ter esse alimento à mesa, considerando-o mais como um medicamento do que como um item de sua dieta habitual.

 

O produto do século 21 – A participação do mel brasileiro no mercado mundial, onde hoje figura em ranking mundiais como o melhor do mundo, ano a ano, só aconteceu no início deste século. “Em 2003, a China, que é o maior exportador de mel no mundo, teve um bloqueio em sua exportação, por problema de contaminação com antibiótico. Isso abriu uma janela para o Brasil, descobriram o mel brasileiro. Naquela época, o balde de mel de 25kg você não vendia por mais de 30 reais”, conta Edmundo Marchetti, maior produtor de Santa Cruz do Rio Pardo, onde mantém um entreposto que beneficia e embala a produção de produtores da cidade e região. Natural de Óleo, de uma família de agricultores, desde a adolescência, ele se apaixonou pela atividade apícola, que levou como hobby até 2010, quando abandou seu trabalho como professor da escola técnica agrícola de Santa Cruz para dedicar-se exclusivamente à apicultura. Vale informar que no Apiário Marchetti, o balde de mel de flor de laranjeira sai por R$ 500,00, o que prova que a realidade melhorou muito para o produtor.

 

Apicultura na região – Cada vez mais organizada e produtiva, a produção de mel na região sudoeste do Estado de São Paulo é significativa. Botucatu aparece como segunda cidade que mais produz mel em todo o país, contribuindo para que São Paulo fique em 4º lugar entre os Estados que mais produzem mel no Brasil. Em Santa Cruz do Rio Pardo, a produção de mel é respeitável. Reunindo cerca de 50 produtores, a cidade produz cerca de 100 toneladas de mel por ano, a maior parte destinada à exportação, como é comum em todo o país. Edmundo Marchetti lidera a produção com suas mil colmeias, que produzem 30 toneladas de mel por ano. Além de exportar mel, como produtor rural, Marchetti também mantém uma linha para comércio local, com embalagens de 300g a 25kg.

 

Floradas e colheitas – Segundo nos ensina Marchetti, a produção do mel permite três colheitas por ano, seguindo a época de florada das plantações. A produção é sazonal. De novembro a janeiro, ele colhe mel em matas das fazendas onde também produz de outras floradas; de janeiro a maio, a colheita é nas plantações de eucalipto; e, finalmente, de  agosto a novembro, acontece a florada de laranjeira, onde seu principal parceiro é a Agroterenas, que tem uma área gigante de plantio de cítricos, que respeita o ciclo de floradas, e também de mata nativa. Por conta de todo esse processo de colheita e também do uso de colmeias para polinização, Marchetti chega a percorrer cerca de 5 mil km em apenas uma semana, num raio de 40km em torno de Santa Cruz. 

Foto: pixabay.com
Fotos: Edmundo Marchetti
Foto: Flavia Rocha 360

Produto sustentável – Apaixonado pelo setor, Marchetti é também presidente da Associação de Apicultores do Centro Oeste Paulista (AACOP), sediada em Cabrália Paulista, que reúne 50 produtores de diversas cidades da região, somando cerca de 5 mil colmeias. Entre as inúmeras qualidades do setor, ele destaca a importância das colmeias para a produção de todos os alimentos. “A polinização é necessária em 90 % do que as pessoas comem. Então se você tirar as abelhas da terra, os humanos saem junto. É uma cadeia evolutiva, uma simbiose, uma relação de troca”, explica Marchetti.

Professor e estudioso do setor agro, ele é enfático em explicar que não há mortandade de abelhas para se produzir mel. “Ao contrário, as colmeias garantem alimentos para elas durante a entressafra das floradas”, afirma. “Tem uma camada da colmeia que se chama ninho onde a abelha põe as crias e o mel para ela. Nas caixas de cima, sobre-caixas, ela põe os excessos. A gente nunca colhe mel dos ninhos, só das caixas acima, sempre tem uma reserva de alimento para as abelhas”, explica Marchetti.

Segundo ele, todo mel pode ser considerado um produto orgânico, especialmente o de eucalipto e o silvestre. E mesmo nas plantações de laranja, onde são aplicados herbicidas, é respeitado o momento da florada, pois as abelhas não chegam em flores se tiverem agrotóxicos. “A abelha tem 3 mil cavidades olfativas nas antenas. Sentem o cheiro de mel a 3 km de distância. Imagina o agrotóxico! A gente que só tem duas cavidades não aguenta o cheiro de agrotóxico, imagina as abelhas!”, destaca o produtor.

Novas parcerias e mercados – Um nicho produtivo bastante promissor e que remunera melhor o produtor através da venda direta para exportação, a produção de mel e de seus derivados tem ganhado mais atenção em todas as esferas. Inclusive no campo social. A mais nova investida da AACOP é uma parceria firmada com a Bracell, multinacional do setor de celulose que tem uma unidade em Lençois Paulista. “O contrato é da Bracell com a Associação e prevê a produção de mel em plantações de eucalipto de 30 fazendas da empresa”, diz Marchetti explicando que a contrapartida é 1kg de mel por colmeia. “É um grande projeto social que visa agregar renda para produtores em torno das regiões de eucalipto, que fomenta a atividade apícola”, conta o presidente da AACOP que participará com 210 colmeias.

O entusiasmo com a parceria faz todo sentindo se considerarmos o potencial da apicultura em oferta de produtos para todo o mercado. “Quando se fala em abelha, todo mundo pensa em mel e ferroada. Mas abelhas têm muitos produtos: polinização, muito importante, o mel, pólen, geleia real, a toxina, a cera”, destaca Marchetti lembrando que além do setor de alimentos, o mel e seus derivados atendem ao mercado de fármacos e de cosméticos.