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Edição 182 - Março/21

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Arraia Miúda

José Mário Rocha de Andrade - médico santa-cruzense radicado em Campinas

Um antigo professor morava nos Estados Unidos em 1968 quando foi promulgada a lei federal tornando obrigatório o uso do cinto de segurança para dirigir. Conta ele: “você ligava o rádio, ouvia: use cinto de segurança. Ligava a TV: use cinto de segurança. De um e do outro lado havia um outdoor com letras garrafais: use cinto de segurança”. Ajudou, mas não impediu, como aqui, mais tarde, no Brasil, que surgissem boatos: o cinto não abriu quando um carro caiu no rio, ou processos porque a lei atentava contra a liberdade individual. Daqui a pouco irão nos proibir de fumar, diziam!

Em 1901, uma doença desfigurante porque deixava marcas permanentes na pele e com alto índice de mortalidade, a varíola, a única doença erradicada do planeta até hoje, também foi causa de indignação e revolta popular quando o governo decidiu que toda a população de Boston, local da epidemia, deveria ser vacinada. A Suprema Corte foi chamada para decidir se a ordem da vacina violava as liberdades individuais de acordo com a Constituição.

Assim decidiu: “Reconheceu a importância fundamental da liberdade pessoal, mas também reconheceu que os direitos do indivíduo em relação à sua liberdade podem, às vezes, sob a pressão de grandes perigos, estar sujeitos a tal restrição, ser aplicada por regulamentos razoáveis, como a segurança do público em geral pode exigir”.

Entre as revoltas havidas em nosso Brasil, a Revolta da Vacina em 1904 no Rio de Janeiro, cidade que era uma imundice com seus cortiços e lixos aos montes acumulados no centro foi uma sucessão de boas intenções e execuções desastradas do governo. Ratos, mosquitos, a peste, a febre amarela e a varíola conviviam na cidade. Ruas foram alargadas e limpas, os cortiços destruídos, os pobres que ali moravam foram obrigados a morar distante do centro e uma lei tornando obrigatória a vacina contra a varíola foi promulgada. Tudo sem explicação a uma população pouco esclarecida.

Quando o Governo anunciou que iria pagar por cada rato morto, pessoas começaram a criar ratos. A vacina era aplicada no braço em uma época em que todos cobriam todo o corpo e foi considerada imoral. Difícil é mudar hábitos, mais difícil é mudar mentalidades e, veio a inevitável Revolta da Vacina.

Arraia, palavra originária do árabe, significa rebanho, bonita se visualizarmos bois brancos pastando num capinzal verde suculento, mas, triste é sua extensão, povo, plebe que, ligada a miúda significa sem expressão, sem representatividade

Se devemos investir na educação e qualidade de vida da arraia miúda, precisamos cuidar da mentalidade da arraia graúda que tem representatividade e poder. Esclarecimento e bons exemplos se fazem necessários.

Que todos sejam vacinados. Aos negacionistas, aos anti-vacinas, uma sugestão. Tomem a vacina somente os que acreditam na ciência que faz o celular existir, os aviões voarem, as cirurgias plásticas e os tratamentos dermatológicos embelezarem.

 

Pãe, ele existe. Deixe-o ser

Fernanda Lira - jornalista paulistana que adora o interior
jornal360

Tem mãe que só sabe ser mãe. Tem pai que só sabe ser pai. Tem pai que só sabe ser mãe. Tem mãe que só sabe ser pai. Tem pai e mãe que não sabem criar os filhos. E tem aqueles que nem são pais ou mães e que são capazes de ser pai, mãe, pai mãe, mãe pai.

Nós somos multifacetados.

Assim como a mulher não deve ser induzida a só lavar a louça, cuidar da casa, criar os filhos, desde os brinquedinhos lá da infância, os homens, também, não precisam ser orientados a apenas gostarem de coisas mecânicas, brutas, matemáticas. O animal é o cavalo, o touro. Os brinquedos, o carro, caminhão, lancha, helicóptero, avião… vamos humanizar, também, a brincadeira de pai?! Porque eu conheço vários pais que tem a natureza de mãe, nasceram para ser pãe!

E qual o problema de o pai ser esse cara que se dedica a cuidar dos filhos quando a mulher cuida da renda, dos negócios? Nenhum problema. Então parem de cobrar do homem o papel do provedor. Porque nem sempre sua natureza o é.

E isso não tem nada a ver com orientação sexual. Orientação sexual é outra coisa que também vale muito. Inclusive vale dançar homem com homem e mulher com mulher, vale tudo. Só não vale ser careta, ultrapassado e ficar aplicando rótulo e manual de instruções em todo mundo.