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Edição 183 - Abril/21

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O desafio de governar uma cidade epidêmica

Há exatamente um ano, o Brasil se viu às voltas com uma situação inesperada e desesperadora, que determinava uma mudança de hábitos que, a princípio, poderiam ser passageiros: usar máscara, não manter contato físico, nem mesmo com as pessoas mais próximas e ficar em casa todo o tempo possível. A higinização das mãos, que já deveria ser um hábito, apareceu como prática essencial e de maneira rigorosa, com água e sabão ou álcool em gel.

O Brasil estava se preparando para enfrentar o que diziam ser o “pico” da epidemia. Esperava-se que após um período de alta nos casos de Covid-19, a epidemia entrearia em declínio e a vida poderia voltar ao normal. Isso não aconteceu. Ao acontrário. Estamos a cada dia mais apreensivos pelos números gritantes e inesperados de mortes. A trágica estimativa de 100 mil mortes se revelou diante de mais de 374 mil óbitos já registrados.

Em meio a esse mar revolto, tivemos eleições para prefeito. E coube a pessoas que, em muitos casos assumiram a administração pública de uma cidade pela primeira vez, lidar com um desafio sem precedentes na história do Brasil. É o caso de Diego Henrique Singolani Costa, prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo, com quem conversamos com exclusividade.A entrevista, feita por um canal online, começou com um desabafo do novo gestor da cidade:

 

 

“A gente tem percebido uma mudança de comportamento das pessoas neste momento da pandemia. Nos últimos dias, a tristeza está tão grande, o número de ca-sos tem aumentado tanto, que o pessoal está com o pensamento de se manter vivo.

Você vê que as pessoas já não estão nem com aquela revolta e sim buscando, de alguma forma, se apegar na fé e lutar para sobreviver. Porque, antes, o Covid estava no país vizinho, estava na cidade vizinha, estava no trevo, estava no portão… Agora está no sofá da casa da gente. Cada vez mais, são pessoas mais próximas, mais conhecidas, que são contaminadas, inter-nadas, morrendo. Eu percebo esse movimento das pessoas estarem mais preocupadas com suas vidas porque viram que a doença está  mais próxima. Isso é triste, claro, mas é necessário para conseguir maior conscientização das pessoas.

Outro dia, estava de carro oficial, passando por onde as pessoas fazem caminhada, parei o carro e chamei a atenção de várias pessoas para colocarem a máscara.  Neste momento, não era nem para estar caminhando, mas é o direito de ir e vir de cada um e eu não vou entrar nessa esfera. Mas já que você não está tão preocupado, ao menos, use máscara, respeite quem está ao seu lado, quem está passando. E ontem, algo me chamou atenção pelo la-do positivo, diferente do que acontecia, a maioria das pessoas estava de máscara.

Pior do que estar sem a máscara é o movimento negacionista tão grande que virou uma pandemia da desinformação, da ignorância, porque não há como, neste momento, você alegar que não sabe alguma coisa. Faz mais de um ano que nós estamos, todos os dias, aqui em Santa Cruz, gravando o Boletim. Está na imprensa, na rua, em todo lugar. A pandemia virou o primeiro assunto de qualquer roda, seja online, seja quando as pessoas se encontram. Então não é mais um momento para isso, é um tempo realmente de focar, brigar muito pela vacina porque é isso que nós precisamos. A vacina é nossa única esperança neste momento.

No desenho da tomografia computadorizada, exame fei-to desde o início da pandemia em Santa Cruz, notamos que já se trata de um novo tipo de vírus. Além do comportamento do paciente, a agressividade e, principalmente, a letalidade do vírus é outra. Nos últimos dias, cerca de 98% dos pacientes que foram entubados vieram a óbito. Famílias estão morrendo. A esperança é a vacina.

Nós, da administração pública, temos buscado fazer o possível. Num cenário onde faltam remédios, faltam médicos, falta estrutura mínima de atendimento, nós conseguimos realinhar a estrutura. Gerir a Covid é tão dinâmico quanto gerir o município como um todo, porque as regras mudam a todo momento, mas é uma regra que vem do próprio vírus.

No começo da pandemia, a regra era pegar o paciente no começo, acompanhar o tratamento, internar, antibióticos, protocolos, alta. Hoje, com essa nova variante, o paciente começa a ficar ruim a partir do 10º, 11º dia de sintoma e não tem um tratamento para isso. Todas as lendas que aparecem em redes sociais, os “cientistas” de WhatsApp, de Facebook, não têm comprovação nenhuma de que fazem a diferença na vida do paciente.

Nós tivemos que reorganizar toda a rede básica de saúde, na última semana, para monitorar o paciente, para evitar a super lotação de pessoas na Santa Casa. Consegui uma redução de 80 a 90 de atendimentos na Santa Casa para 16 hoje (13/4), porque a Atenção Básica, que são os Postos de Saúde, estão alinhados com o protocolo e monitorando pacientes.

Agora não adianta internar no primeiro ou segundo dia, porque vai chegar no 11º dia e teremos um boom de pacientes e não teremos estrutura, não teremos onde colocá-los. Como sou da área da saúde, tenho uma visão muito clara de tudo isso que nós estamos vivendo. Hoje, estamos lidando vivendo a fase da assistência. Dobrei a carga horária dos funcionários do hospital, a hora extra que pagava 50%, estamos pagando 100% para motivar as pessoas, que estão muito cansadas, a trabalharem mais. Alinhamos os postos de saúde com o hospital.

Tudo é muito dinâmico, você tem que ter uma visão muito clara do que está acontecendo e ter ideias sempre pensando 10 dias, 15 dias na frente. A decisão que você toma hoje, vai colher os frutos lá na frente. Você tem que ter paciência, ter firmeza para começar a fazer um trabalho. Eu tenho, graças a Deus, uma abertura muito grande com os médicos. Todos me ajudam muito e em especial o Dr. Jonas. Sem palavras, nesse momento, o que esse homem está representando para nossa cidade.

Às vezes, é difícil de chegar em casa e segurar essa emoção toda porque eu tenho grupos de WhatsApp onde tenho informações, em tempo real, de internações, óbitos. É muito triste. Em contrapartida, recebo informações do outro grupo, o da fiscalização, sobre festas clandestinas em todo lugar e aglomeração. Às vezes, é bastante triste e cansativo.

Estou falando em forma de desabafo porque a gente às vezes acha que não vai conseguir alcançar algum objetivo. Mas daí você tem fé, esperança e foco. E gestão é isso, é planejamento. Numa guerra, não são todos que voltam para casa, mas os que voltam estão mais fortalecidos.

Por ser profissional da saúde, trabalhando há tantos anos, desde 2016 na Secretaria de Saúde e 17 anos em hospital, não tenho como defender nenhuma ação que está sendo tomada pelo Governo Federal neste momento. Pelo contrário, nós, que temos cargo público, que somos líderes políticos, seja vereador, prefeito, go-vernador, deputado, senador ou o próprio presidente, temos que dar exemplo. Se não sabemos o que é a doença, porque, na verdade não se tem o estudo completo sobre ela, se eu não sei, vou me apegar ao que eu entendo que é o melhor, que é o mínimo: usar a máscara, usar o álcool, não sair de casa e, claro, se tem o poder de compra, comprar a vacina, comprar os insumos e disponibilizar a vacina para todos.”

 

Diego Singolani,

 

prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo

* Prefeito pela primeira vez, aos 33 anos, Diego Singolani está enfrentando o desafio de exercer o complexo cargo de chege do executivo de Santa Cruz do Rio Pardo em meio ao pior cenário da epidemia desde março de 2020. Com larga experiência em saúde pública, ele conta sua experiência, explica suas decisões e alerta a população

Entrevista concedida com exclusividade ao 360:

360: Como está a situação de Santa Cruz, hoje, em meio à epidemia de Covid?

Diego Singolani:A situação não está diferente do restante do Brasil, estamos enfrentando uma dificuldade muito grande. Temos, hoje, mais de 700 pessoas contaminadas, em Santa Cruz do Rio Pardo. O desafio é tremendo, neste momento, porque nós temos que trabalhar três eixos: a conscientização das pessoas com a prevenção, trabalhar meios de tratas os contaminados e, principalmente, dar o suporte para aqueles que vão necessitar de um leito de UTI.

360: Você era Secretário de Saúde e conviveu com um índice de óbitos muito baixo no ano passado. Foram apenas seis mortes em sete meses, entre março a outubro de 2020. Santa Cruz se destacava, inclusive, por conseguir tratar com sucesso os pacientes de Covid. Você imaginava viver uma situação de aumento de casos e de óbitos tão grandes como a atual?

Diego: Imaginava. Na verdade, eu sempre coloquei que janeiro e fevereiro seriam os meses mais tristes da pandemia porque era o estudo epidemiológico que próprio Estado de São Paulo tinha, ainda que, naquela época, não se falava em variante do vírus. Então, realmente, em janeiro começou a aumentar o número de óbitos em virtude dos feriados de fim de ano. Só que, entre fevereiro e março, a nova variante do vírus chegou, que é essa que está assolando todo o nosso país.  Como gestor de saúde, entendo que não foi uma questão de mudança de direção, porque o protocolo é o mesmo, o médico é o mesmo, a estrutura aumentou, nós separamos o atendimento e criamos novos postos. O que mudou foi o comportamento do vírus. E não tem como esconder: a velocidade da vacina está, infelizmen

te, levando nossa população à morte.

360: Como é exercer um cargo abrangente como o de prefeito, que tem que cuidar de muitos aspectos da cidade, ainda mais pela primeira vez, e ter lidar com uma situação tão crítica e inédita como a epidemia em seu estado atual?

Diego: Como administrador, sempre fui acostumado a ter problemas que, por mais complexos fossem, tínhamos opções, positivas ou negativas, mas tínhamos soluções. Hoje, nós lutamos contra um problema que a solução não está em nossas mãos, não está no livro ou no caderno. A solução está no dia-a-dia, no enfrentamento de tudo isso, diariamente. Somadas toda essa res-ponsabilidade da pandemia com a responsabilidade de todas as áreas é um desafio muito grande, mas eu tenho uma equipe muito bem estruturada, tanto quem eu mantive no cargo quanto aqueles que eu convidei, cada um já sabe o dia-a-dia da sua pasta. Como estive no cargo de secretário da saúde nos últimos 6 anos, conheço a todos e já conhecia um pouco a realidade de cada pasta e ser prefeito não é diferente de nenhum outro trabalho. Então dá para dar conta, mas a pandemia toma de 80% a 90% do tempo, não tem como ser diferente.

360: Quais as providências que você tomou e quais que você está tomando para lidar com essa situação?

Diego: Bom, nós temos que equilibrar o comércio, a economia, a saúde, a educação, mas, em determinados momentos da pandemia, você tem que tomar a decisão mais difícil que é parar tudo, buscar colocar as pessoas em casa. Eu sempre tive uma convicção: prefiro escutar críticas de pessoas que estão vivas do que ter as mãos, de alguma forma, sujas de sangue por ter deixado de fazer alguma coisa e as pessoas morrerem por imprudência. No meu governo as pessoas que, infelizmente, morrerem de Covid serão pelo comportamento do vírus e não por má gestão. O que tiver ao meu alcance, eu sempre serei defensor da saúde e da ciência. Paralelamente, existe uma parte da nossa equipe que trabalha apenas e exclusivamente com ações para o pós-pandemia. Criamos o “Laboratório de Criatividade”, com objetivo de planejarmos já ações para implantar no pós-pandemia, envolvendo cultura, turismo esportivo, turismo religioso, movimentação do comércio, calçadão. São vários projetos já em desenvolvimento que serão implantados assim que tivermos a maioria imunizada, que irão devolver a alegria, a fé, a esperança, o emprego, a cidade para todos.

360: Como está o índice de vacinação da população de Santa Cruz e quais são as perspectivas? Você tem a liberdade de vacinar mais gente ou tem que seguir uma política Federal ou Estadual?

Diego: Vacinamos cerca de 6500 pessoas até o momento. Temos que seguir o Plano Nacional de Imunização, coordenado pelo Estado. o prefeito tem não a prerrogativa de mudar nenhuma regra. Ocorre, porém que a União anuncia uma grade de vacinação, mas não manda doses suficientes para atender toda essa população. Daí o prefeito tem que ver quem que está na linha de frente, que é quem está na Santa Casa, na UPA, no SAMU, no consultório e então poder trabalhar, mas não criando uma regra nova. Tenho 33 anos, sou administrador hospitalar, sou da área da saúde, vou ao Hospital Municipal quase todos os dias, mas não me vacinei. No caso dos profissionais da saúde, por exemplo, não recebemos doses suficientes que nos permitissem vacinar veterinários, cuidadores de idosos e educadores físicos. O Ministério da Saúde soltou a documentação para encaminhar as doses e a gente está aguardando. Também não posso receber uma grade de vacinação para profissionais de saúde e vacinar o pessoal da educação, eu não posso fazer isso. 

 

360: Falando em Educação, em relação aos professores, houve uma limitação da idade para vacinar, acima de 47 anos. Como fica o retorno das aulas presenciais numa situação que tantos professores continuarão sem imunização?

Diego:  Hoje, eu não tenho segurança epidemiológica técnica para o retorno das aulas presenciais, não vou voltar. Tem bastante pedido disso, principalmente da área privada, mas eu não vou voltar. Tentei retornar às aulas, há pouco tempo, criamos um protocolo, todos fizeram adesão, inclusive as escolas privadas de Santa Cruz, porém, começou a aumentar o número de casos e ter casos mais complexos. Hoje mesmo eu transferi uma menina de 13 anos, muito mal, para a UTI pediátrica de Marília. O exemplo dela foi um caso, mas não importa, um caso pode se transformar em 10 casos, 20 casos dentro de uma escola, dentro de uma sala de aula. O cenário é assustador. Então não tem como retornar as aulas agora. O prejuízo da educação está sendo grande, eu sou completamente favorável ao ensino presencial e ao que for preciso para essas crianças. Mas creio que, se está perdendo 1 ano e meio ou 2 anos, que seja, vamos formar uma educação que seja mais consistente, mais eficiente, aumentar a carga horária. Façamos o que for necessário para que essas crianças tenham um ressarcimento desse prejuízo, mas não agora, vamos aguardar mais um pouco. Acho que essa vacinação dos professores já é uma ponta de esperança, tem bastante gente vacinada, mas vamos ter que esperar mais um pouco, ainda não é o momento de fazer isso. Eu, quando não tenho segurança científica de uma coisa, uma opinião contrária à minha, mas muito bem embasada eu não mudo, sou convicto. E pelo menos até os próximos dias, meses talvez, não tem como voltar aula presencial.

 

360: Diego, em relação ao comércio, há muita argumentação de que não é o comércio que promove a disseminação de casos. Como é que você avalia isso?

Diego: Realmente, o comércio nunca con-taminou. Só que quando você está com todas as atividades abertas, automaticamente você estimula a movimentação das pessoas. E isso vale para comércio, igreja,  academia, qualquer atividade. O problema não é dentro do local, é a movimentação nas ruas. Como nas igrejas, por exemplo. criamos esse protocolo de no máximo 30 pessoas. Mas expliquei para todos que o problema não está dentro da igreja, onde vão estar separados por grupo familiar. O problema é a chegada no culto, na missa, é a saída, é aquele beijinho de 2 segundos, é aquela conversinha, o bate papo. E no comércio também, não é dentro da loja, é a movimentação. Quando você restringe horário, fecha, é um recado para a população: “Agora não é hora de sair para isso”. O sistema delivery/drive-thru tem funcionado bem, o comércio tem se atualizado. É importante para o comerciante se atualizar no que de novo existe.

 

360: Você falou uma coisa verdadeira, é tão fácil ter uma loja online, mas a gente não vê isso no nosso comércio.

Diego: O E-Commerce é o futuro. A gente não pode fugir disso. Tenho desenvolvido algumas ideias aqui para gente fazer um atendimento com hora agendada para o próximo passo do comércio, para evitar aglomeração porque não adianta o delivery e o pessoal ficar na porta da loja. É desesperador porque é aquilo que não pode acontecer. E não adianta, quando você vê está um do lado do outro, daí abaixa a máscara para conversar. E não pode.

 

360: Como fica a questão dos impostos? Está tendo flexibilização do recolhimento?

Diego: Posterguei o recolhimento de taxas da prefeitura  até 31 de dezembro. Taxas de início de atividade, de renovação, de vigilância sanitária. Foi o que eu pude fazer, porque o restante não depende de uma política municipal. O IPTU, por exemplo, quem recolhe é o dono do imóvel que, muitas vezes, nem afeta o comerciante que aluga o ponto. Então o que nós pudemos fazer foi postergar as taxas até o final do ano.

 

360: O que você acha que faz com que mesmo diante dessa situação tão grave, tantas pessoas ainda resistam a usar máscaras corretamente e conversem de perto,  sem máscara?

Diego: No começo era uma doença ainda um pouco distante, sabe aquele sentimento que temos de  “acontece com o vizinho, mas não acontece comigo”? E, claro, também, tem toda a influência midiática do nosso Presidente, fazendo todo tipo de ação negacionista, influenciando tanta gente. Mas vejo que, nos últimos tempos, as pessoas já têm percebido e têm tido mais consciência, sabem que não estão certas com elas mesmas e com as outras quando não estão com máscara. É que, muitas vezes, você fazer o certo, chamar a atenção, corrigir, você é visto como chato. Mas ser o chato do Covid é proteger a sua vida e a vida do próximo.

 

360: O que o desanima nesta situação?

Diego: Eu tenho uma capacidade muito grande de separar a minha pessoal da profissional. Sempre trabalhei muito isso por-que, por trabalhar na área da saúde, sempre tem uma exposição muito grande, seja de mídia, seja de morte, de tristeza mesmo. O que incomoda bastante, com certeza, são as fake news, as mentiras, as lendas que chegam no meio do caminho atrapalhando um trabalho de verdade. O Boletim que gravo diariamente, ali é o momento para eu passar para a população a realidade do que está acontecendo e também de fazer um certo desabafo, por-que é tanta mentira e, muitas vezes, são mentiras plantadas dentro de um cenário municipal para prejudicar o trabalho do prefeito ou de qualquer outro gestor.

 

360: E o que renova a sua esperança?

Diego: São duas coisas fundamentais. Primeiro, eu vejo as crianças nascendo, a vida sendo renovada. E também quando participo dos drive-thru de vacinação, que eu gosto de ir, quando vejo o rostinho dos idosos sendo vacinados, aquela vontade de viver, o sorriso, a gratidão deles, eu acho que isso, com certeza, enche o coração da gente de energia para continuar o trabalho. Tem muita tristeza, sim, nos tempos que nós vivemos, de tanta depressão, de tanto suicídio, de tanta gente perdendo o sentido da vid. De repente, você percebe que, se tem uma coisa que nós vamos ter que refletir no pós-pandemia é a valorização da vida, são as pessoas lutando pela vida, são as pessoas lutando pela sua vacina e a renovação chegando, crianças nascendo. Sinal que nosso mundo tem jeito ainda. E uma experiência que nós temos tido, você faz parte disso também, que é uma ativista das causas sociais, é a movimentação das pessoas para o bem, para gratidão, para ajudar o próximo. É alimento, é roupa, pessoas ligando oferecendo ajuda, são as campanhas. Eu vejo que esse mundo nosso tem jeito e que nós vamos ter um pós-pandemia com muitas marcas tristes, mas, com certeza, um mundo um pouco mais empático. E é isso que nós esperamos porque, muitas vezes, temos, por cultura, de observar só o negativo, só a reclamação, só o ruim, só quem está fazendo errado. Mas não, existe uma pequena parcela que erra, mas erra gritando, na política tem isso, nosso próprio líder maior está errado, mas grita muito. As pessoas intencionadas, vocacionadas para o bem ainda são maiores. Então isso, com certeza, me dá gás para continuar.

 

360: Qual seu recado para a população até que todos sejam vacinados? O que você diria para cada um, nesta cidade?

Diego: Eu peço paciência para todos neste momento. É o momento que a vacinação está acontecendo, porém ainda estamos na pior fase da pandemia. Se cuidem. Fiquem em casa. Agora é o momento, realmente, de você colocar em primeiro plano o amor ao próximo, que nós aprendemos desde cedo, seja qual religião que tenhamos, em prática. É hora, realmente, de se colocar no lugar do seu avô, da sua avó, do seu vizinho, do seu tio. As pessoas que estão nos deixando, não são mais apenas aquelas pessoas distantes Hoje elas estão dentro da nossa casa. Tomem cuidado, cuidem de suas vidas e, principalmente, multipliquem as informações verdadeiras, preguem a mensagem do bem. A inteligência está aí, todos nós a te-mos, vamos usá-la para o bem, para conscientizar as pessoas. A probabilidade de uma guerra acontecer é tão grande tamanha tristeza, tamanha dificuldade que as pessoas estão vivendo, então nós temos que buscar levar a mensagem da fé, da esperança e do bem. Só que isso é dentro de casa, usando máscara, álcool em gel, se cuidando. Um ano atrás, não tinha perspectiva de vacina. Hoje, ainda que morosa, nós a temos.Tenhamos paciência. Vamos superar tudo isso.

Letalidade da Covid-19 só tem aumentado

Ficar em casa, sair apenas usando máscara e usando-a corretamente, cobrindo rosto e nariz. Manter as mãos limpas e distantes da própria máscara, dos olhos. Manter distância de pelo menos 2 metros das pessoas. Evitar contato físico dentro de casa. Fazer as refeições o mais distante possível um do outro. Essas são medidas de segurança para evitar a tramissão do novo coronaví-rus, cuja variante que se espalhou pelo Brasil está ainda mais letal. Letalidade é a quantidade de mor-tes entre pessoas atingidas pela do-ença. Esse índice aumentou muito no último mês, causando óbitos em série até mesmo em cidades de me-nos de 50 mil habitantes.

Por isso, todo cuidado é pouco. O uso de máscara, até mesmo dentro de casa quando se vive com muita gente, é fundamental. Ou seja, todo cuidado é pouco. “Covid é grave e  pode ser fatal, mesmo para pessoas mais saudáveis e jovens. O número de casos aumentou assustadoramente. O vírus está com outra cara, mais agressivo e de agravamento mais rápido”, informa o Dr. Jonas Jovanolli Filho, médico que está à frente do combate à epidemia na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo, onde é diretor clínico.

Isolamento é a solução – Na avaliação do médico, seria necessá-rio tomar medidas restritivas neste momento. “Estamos tendo casos de reinfecções após 70 dias da doença e também infecção em pacientes que já tomaram a segunda dose da vacina. Como o número de interna-ções aumentou muito, a única providência seria o isolamento total para diminuir o fluxo de pacientes, porque o sistema de saúde entrou em colapso. Acho que só aumentar equipamentos e leitos não resolve porque nos Estados Unidos, que é a nação mais rica do mundo, aconteceu a mesma coisa. A solução, de imediato, seria o “lockdown”.

O que é lockdonw – Medida que causa muita polêmica por questões de ordem econômica, o lockdown é uma medida mais rigorosa de isolamento social. Uma vez adotado, a circulação de pessoas numa cidade torna-se mais restrita e monitorada pelas autoridades que trabalham o controle da epidemia.

A medida permite que se promova uma queda brusca no contágio e, consequentemente, na superlotação de hospitais e unidades de saú-de, sendo a única alternativa com-provadamente eficaz para diminuir a curva epidêmica.