Um jornal de boas notícias.

Resolvemos subverter a essência do jornalismo tradicional que aponta os erros da nossa sociedade, criando um periódico que trouxesse sempre boas notícias sem perder o senso crítico, essencial a qualquer veículo que se preze.

Clique aqui e conheça-nos

Edição 182 - Março/21

AQUI e
tudo sobre nossos patrocinadores:

Fazenda quase centenária é um oásis de flores e frutas

Repleta de árvores e arbustos, a entrada da Fazenda São José   da Grumixama é um espetáculo,  especialmente na Primavera

“Quer conhecer árvores frutíferas? Um pomar completo? Visite a fazenda  São José da Grumixama” Esta poderia ser a chamada de um folheto de orientação turística de Santa Cruz do Rio Pardo, a cidade que pretende explorar o seu potencial de turismo rural. Mas isso ainda é um sonho.

O fato é que a fazenda Grumixama pode servir de modelo para muitos proprietários rurais interessados em ampliar seus ganhos com o turismo. Bem organizada, bem tratada, muito embelezada sem ferir a forma natural das plantas. À entrada, você se depara com um suntuoso corredor de 500 metros formado por dezenas de flamboyants. A vistosa árvore frondosa de origem africana que se tropicalizou e enche da intensidade do vermelho a paisagem durante a primavera. Ali também há exemplares de flores alaranjadas e amarelas, num incrível santuário natural. No chão, quando as flores ficam menos aparentes, milhares de vagens acomodam suas sementes, numa grande disponibilidade de mudas para quem se dedicar a plantá-las. Ali mesmo, na entrada, a fazenda já mostra seu dom para a diversidade. Moitas formadas por Espadas de São Jorge se entremeiam com primaveras de todas cores, ocultando o solo de onde surgem as árvores.

Tudo isso é ornamentado com uma linda cerca de madeira branca, que faz um contraponto de cores ainda mais reluzentes com a variedade de verdes das folhas, de beges e marrons dos caules, das cores de todas as flores e do incrível azul do céu da cidade com suas nuvem fofas e brancas

Muito bem planejado e cuidado, o pomar de mais de 500 árvores frutíferas da    Fazenda São José da Grumixama produz frutas suculentas quase todo o ano

Passado o grande corredor, chega-se à sede da fazenda, onde se é recebido pelo zeloso e simpático Gilmar e sua família. É ele quem cuida do pomar de mais 500 árvores de diversas espécies frutíferas. Tudo devidamente planejado, irrigado e respeitado em seu jeito de ser. Os aromas, os sabores e as cores ficam por conta da época do ano.

Em nossa visita, mangueiras e jaqueiras estavam em festa, forradas de frutas suculentas e maduras. Também já havia frutos a crescer nos abacateiros, algum coisa remanescente nos pés de acerola e ainda verdes, porem deliciosamente incríveis, bacuparis, uma das mais exóticas frutas ali produzidas, natural da Amazônia. O pomar é obra de Roberto Magnani, que cuida da fazenda herdada pela esposa Rita, filha do célebre advogado Dr. Cyro de Mello Camarinha, que coincidentemente, nomeia a mais arborizada e, por isso, mais bela e vistosa avenida da cidade. “Como a fazenda fica numa posição alta, sem baixadas com áreas de proteção ambiental, e numa região onde predomina canaviais, a ideia foi separar uma área para criar uma espécie de ‘ilha com árvores frutíferas e nativas’ neste mar de cana-de-açúcar, melhorando o equilíbrio entre a fauna e a flora. É o que tem ocorrido ano a ano, com espécies diferentes de pássaros que vem aumentando”, explica Roberto.

Segundo ele, o plantio das árvores frutíferas começou como um hobby.

“Começamos em janeiro de 2000, sempre com mudas de boa procedência. Hoje temos cerca de 500 árvores frutíferas, devidamente irrigadas, sempre orientados por profissionais de Santa Cruz e com a dedi-cação do funcionário responsável por cuidar deste trabalho. Também sempre que surge alguma planta diferente, que atraia tipos diferentes de pássaros, providenciamos o plantio”, afirma. Entusiasmado com a fazenda, Roberto conta que as terras pertencem à família Camarinha há mais de 90 anos. “Ela foi adquirida pelo advogado e político Dr. Pedro Camarinha em Primeiro de Novembro de 1928”, informa.

Nesse quase um século, Roberto elenca desafios históricos, como a crise de 1932, a segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), seguidas geadas, inúmeros planos econômicos com altas inflações e incertezas políticas, a era do algodão, da alfafa e a do café até 18 de julho de 1975 ao sofrer a forte “geada negra” que dizimou todo o cafezal dos estados de São Paulo e Paraná, provocando um enorme êxodo rural onde muitas famílias venderam suas terras, abandonando o campo e mudando para as cidades. “Segundo consta, na região é uma das poucas propriedades que continua por tanto tempo nas mãos de uma mesma família”, diz Roberto. Ele acrescenta: “Após a perda da produção de ca-fé, e em seguida, com o falecimento do seu proprietário, Dr. Cyro de Mello Camarinha, a estrutura cafeeira foi desmontada e toda a produção da fazenda foi redirecionada para cana-de-açúcar.

De acordo com Roberto, a partir de janeiro de 1998, a terceira geração assumiu a fazenda, alterando seu nome para Fazenda São José da Grumixama, dando início à  arborizando com os 150 flamboyants plantados na entrada até a sede e rentes à estrada e com as árvores frutíferas. “Nossa expectativa é chegar ao centenário da Fazenda, em 2028, mantendo o equilíbrio entre produção agrícola e conservação ambiental, com o mesmo respeito de décadas, e aumentando a área a ser desfrutada, tão importante para o futuro do nosso planeta.

Quando perguntamos o que a fazenda representa para ele e sua esposa, Roberto mostra seu bem querer pela terra. “A São José da Grumixama representa uma dádiva a ser preservada e melhorada sempre, não apenas para o meio ambiente, fauna e flora, mas pela satisfação de após anos de trabalho intenso, sentir uma etapa já realizada e a certeza de que será possível ser desfrutada por muitos anos.

São cuidados como esses, de valorização histórica, do plantio intenso de grandes árvores nativas, exóticas e frutíferas, manutenção de antigas instalações e, naturalmente, da produtividade da terra, que tornam uma propriedade rural, seja qual for seu tamanho, atraente para o turismo. Afinal, quem vai esquecer-se de uma experiência como essa?