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Edição 182 - Março/21

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Vacinas: se você tem dúvidas, leia aqui!

Já que tantos se acham sabedores da ação de uma vacina no organismo e se devem
ou não ser ministradas, resolvemos falar com quem realmente ent¬ende do assunto.
A Dra. Elaine Valim Camarinha Marcos é Bióloga, Mestre em Doenças Tropicais, pesquisadora científica e responsável pelo Laboratório de Imunogenética e Histocompatibilidade do Instituto Lauro de Souza Lima da
Secretaria Estadual de Saúde, em Bauru.

360:  Estamos prestes a receber vacinas para nos proteger da Covid-19. E a questão gera muita polêmica. Pode nos informar a utilidade das vacinas?

Dra. Elaine Camarinha Marcos: As vacinas são compostos biológicos produzidos em laboratório que têm a capacidade de nos fornecer o que chamamos de imunidade passiva, através do estímulo da formação de proteínas (anticorpos) que bloqueiam a ação de microrganismos que causam doenças. Quando tomamos vacinas, não desenvolveremos as doenças ou caso venhamos a ser contagiados, estaremos protegidos das formas graves dessas doenças.

360:Muitas doenças foram erradicadas e outras controladas no passado graças às vacinas.  Mas nos últimos anos tem crescido um movimento contra as vacinas. Afinal, elas não são benéficas?

Dra. Dra. Elaine: Sem dúvida, as vacinas são benéficas e seguras! Doenças contagiosas e muito comuns no passado, como a Difteria, o Tétano, a Paralisia Infantil, o Sarampo, a Caxumba e a Rubéola, estavam praticamente extintas no Brasil, por terem alta taxa de cobertura vacinal (quase 100% das crianças e adultos). Atualmente, esses números infelizmente estão caindo, pois muitas pessoas que não têm conhecimento ou não acreditam na ciência, deixando de vacinar seus filhos e a si mesmos, o que levou, por exemplo ao surgimento de surtos de sarampo no Brasil e no mundo.

360:  Muitos negacionistas acusam vacinas de fazer mal. Como você responderia a uma pessoa que defende o não uso de vacinas?

Dra. Dra. Elaine:  A falta de conhecimento, o medo das reações adversas, as “receitas caseiras das amigas e vizinhas” e até mesmo o modismo ao naturalismo que estamos vivenciando fazem com que algumas pessoas deixem de se vacinar. Todas as vacinas que compõe o calendário vacinal do Ministério da Saúde, foram amplamente estudadas quanto à sua eficácia e segurança. O que acontece é que como todo composto biológico, quando administrado no organismo, pode levar a efeitos colaterais indesejados e provavelmente este seja o motivo da não adesão das pessoas. 

360:Muitos pais, que foram vacinados na infância e por isso não sucumbiram ao sarampo, à poliomielite e à varíola, por exemplo, se recusam a vacinar seus filhos. Como você avalia essa resistência?

Dra. Dra. Elaine: Há muitos mitos que cercam as vacinas. O mais famoso deles diz que as vacinas contêm mercúrio (Hg), um metal pesado que é nocivo ao nosso organismo. Na realidade, algumas vacinas, utilizam conservantes como o timerosal que tem o Hg em sua molécula formadora, mas a quantidade é infinitamente pequena, não causando riscos a nosso organismo e com aprovação da Organização Mundial de Saúde. Outro fator provável é que na década de 80, em um artigo publicado na revista Lancet, o autor descreve que crianças que tomaram vacina contra o sarampo desenvolveram  autismo. Este fato foi corrigido 6 anos depois da publicação do artigo, através da manifestação pública da própria revista e por publicações de artigos científicos de outros autores, os quais provaram serem dados erroneamente analisados e que levaram a um grande prejuízo na credibilidade das vacinas no mundo.

360: Muitos naturalistas afirmam que a vacina traz prejuízos ao longo da vida. Os argumentos são mais fundamentados na elevação que eles julgam ter a respeito da existência do que em dados concretos. Como você esclareceria essa questão?

Dra. Dra. Elaine: Na realidade o que acontece é exatamente o contrário. Há inúmeros relatos que as vacinas levam à proteção, não só de maneira específica ao microrganismo que a compõe, mas também contra outras doenças. A vacina BCG, contra a tuberculose, por exemplo, pode apresentar proteção contra uma série de outras doenças, como a Hanseníase. Este fato se deve à imunidade  “cruzada”, isto é, o microorganismo que compõe a vacina apresenta diferentes proteínas e açúcares na sua superfície, os quais podem reagir cruzadamente com outros microorganismos induzindo proteção inespecífica.

360: Sobre a vacina contra a Covid-19, muitos dizem temer por conta da rapidez com que foram desenvolvidas. Pode nos ajudar a entender essa questão?

Dra. Dra. Elaine: As vacinas que estão sendo propostas e estudadas com seus diferentes protocolos contra a COVID 19, apresentam consenso científico sobre sua segurança. As que estão na fase 3 de estudo, ou seja, estão sendo aplicadas e estudadas em humanos e que aqui no Brasil ontem, tiveram sua aprovação de uso emergencial pela ANVISA, são seguras. Contudo, a eficácia, que é a capacidade de proteção da vacina, ainda é um dado a ser melhor avaliado, em decorrência do número pequeno de indivíduos analisados no grupo inicial do estudo, pela urgência em controlar a pandemia instalada mundialmente.

360:  O que mais você diria aos leitores sobre vacinas?

Dra. Dra. Elaine: Não tenham medo de tomar as vacinas. Elas são essenciais para proteger nosso organismo contra doenças em todas as idades e são a maneira mais segura e eficaz de prevenirmos o aparecimento de doenças infectocontagiosas. Acreditem e confiem nas vacinas!

360: E sobre a vacina contra a Covid-19?

 

Dra. Dra. Elaine: Atualmente, elas são a única alternativa para prevenção da Covid-19 e estão sendo amplamente estudadas e construídas a partir de conhecimento científico multicêntrico padronizado e com transparência de dados e rigor metodológico. As liberações emergenciais são pelo fato de os testes sobre eficácia não estarem completos, porém os testes de segurança foram completados.  Além disso, a proteção individual leva a proteção coletiva com diminuição dos quadros graves da doença, das internações hospitalares e consequentemente na diminuição do número de óbitos.