Um jornal de boas notícias.

Resolvemos subverter a essência do jornalismo tradicional que aponta os erros da nossa sociedade, criando um periódico que trouxesse sempre boas notícias sem perder o senso crítico, essencial a qualquer veículo que se preze.

Clique aqui e conheça-nos

Edição 182 - Março/21

AQUI e
tudo sobre nossos patrocinadores:

Santa Cruz chega aos 151 anos vitalizada e ecológica

Bem administrada nos últimos 12 anos, a cidade hoje está condizente com o seu potencial econômico, já que abriga empresas altamente qualificadas, uma agricultura ampla e bem estabelecida e um comércio diversificado e grande para sua população. A infra-estrutura também está visivelmente melhor, com unidades de educação, saúde e assistência social qualificadas e instaladas em áreas estratégicas para suprir população. Chama a atenção, a qualidade da arborização, especialmente dos calçamentos, que parece ter encontrado forte apoio dos moradores.

Não é de hoje que a inserção de área verde em calçadas são uma prática urbanística. Em cidades centenárias, é comum ver antigos e largos calçamentos ostentando canteiros vistosos de mais de um metro de largura. O tempo e os altos custos de ruas e calçadas largas, trouxe para as cidades uma paisagem árida, onde as calçadas, notadamente mais estreitas, passaram a ser completamente revestidas de cimento ou pedras, a depender do bolso do morador. O mesmo se deu em quintais. A partir da década de 60 do século passado, eles começaram a ser progressivamente recobertos de pisos cerâmicos ou pedras, elevando a impermeabilidade das cidades e o custo de manutenção, que envolve mais tempo, água e produtos químicos para se manterem limpos. Felizmente, o elevado custo da permeabilidade está ajudando a reverter essa prática. A consciência ambiental de alguns e a boa formação em arquitetura e urbanismo de outros também têm colaborado para a inserção de verdes em calçadas e jardins. No caso de calçamento público, tornou-se comum em novos loteamentos populares uma faixa de grama contar nos projetos entregues aos novos moradores.

 

Uma tendência puramente de ordem econômica para construtoras, pois se o metro quadrado de cimento fica em torno de R$ 40,00, o preço cai para R$ 8,00 na compra de grama na mesma medida. Essa economia não fica restrita para a fase de construção. A manutenção de um gramado é significativamente menor do que de uma calçada revestida de cimento ou de pedras. Enquanto essas requerem tempo, água e produtos químicos para se manterem limpas e organizadas, as ecológicas, como passaram a ser chamadas calçadas onde há uma faixa de vegetação, requerem água apenas na época da estiagem e a poda do gramado, que pode ser feita rapidamente com uma tesoura de jardinagem ou cortadeira. Em Santa Cruz do Rio Pardo, que está completando 151 anos, as calçadas ecológicas estão cada vez mais presentes. Tanto nos bairros mais nobres da cidade, quanto nos bairros populares. A tendência, muitas vezes, ganha grande dedicação e criatividade dos moradores, que produzem canteiros ornamentados, onde pedras e vegetação constituem na extensão da beleza de residências e empresas.

Tanto no Centro (acima) quanto em bairros mais distantes, como o Parque das Nações (ao lado), as calçadas ecológicas deixam a cidade mais bonita, o clima mais ameno e ainda absorvem a água da chuva

Equilíbrio climático – Ciente da importância da vegetação para se evitar enchentes e a poluição do rio que abastece o município, a administração pública tem investimento em canteiros centrais de avenidas 100% recobertos de vegetação e incentivado o plantio de árvores em todas as calçadas residenciais. De acordo com a lei 2.821 do município, sancionada em 2014, todas as novas edificações só podem obter o “Habite-se”, documento que autoriza a moradia de pessoas no local, se houver uma árvore plantada na calçada. Também as podas e a supressão de árvores em vias públicas e quintais é regulamentada de modo a evitar o corte equivocado e extermínio de árvores.  Mais recentemente, em agosto de 2019, com a intenção de garantir uma boa posição no ranking do programa estadual Município Verde e Azul, focado no desenvolvimento sustentável, a prefeitura aprovou a lei 3.329, criando o “Espaço Árvore”, que determina que todas as novas calçadas tenham um mínimo de 2,5 metros de largura e que uma área de 40% de sua largura e 80% do seu comprimento seja ocupada por vegetação para plantio de pelo menos uma árvore. Os resultados são aparentes e a cidade, por ter cumprido bem todas as premissas do programa, aparecem em 9º lugar do ranking estadual. A lei também determina que as faixas ocupadas pela vegetação não tenham muretas ou bordas, garantindo a permeabilidade do solo. “O objetivo de áreas verdes em calçadas, canteiros laterais e canteiros centrais da área urbana, é que elas absorvam a água da chuva e, assim, abasteçam o lençol freático (parte subterrânea dos rios). A mureta em canteiro ou calçada ecológica diminui o volume de água a ser absorvida pela área verde, pois toda a água que escorrer pelas calçadas seguirá para a rede de esgotos e apenas a água que cair sobre o canteiro será absorvida. Quando você tira as muretas, a água de toda a calçada tende a ser absorvida pelo canteiro verde”, explica Luciano Massoca, secretário de Meio Ambiente da cidade. “É muito importante que também as árvores sejam plantadas sem a inserção de muretas ou muros em volta, pois isso prejudica o desenvolvimento da árvore e impede a absorção da água”, acrescenta Massoca.

Beleza, sombra e frescor – Além de garantir mais beleza a qualquer edificação, seja ela residencial ou comercial, pequena ou de grande porte, a calçada ecológica também promove o equilíbrio climático, algo que hoje em dia faz muita diferença na vida das pessoas. Seja para quem percorre aquele caminho, estaciona seu carro ou para moradores e usuários do imóvel, a existência de vegetação e árvores na calçada ameniza a temperatura cada vez mais quente das cidades. A população parece ter absorvido bem este conceito. Ao percorrer a cidade, é comum se deparar com calçamentos bastante permeabilizados, todos capazes de agradar a quem por ali passa.

O secretário de Meio Ambiente, Luciano Massoca, concede entrevista na praça do Parque Itaipu, onde o ponto de ônibus é protegido pela sombra de uma grande árvore frondosa. à direita, a casa com calçada ecológica tem um grande flamboyant plantado em área interna, no Jardim Eldorado

Como tornar sua calçada ecológica – Muitas cidades mantêm viveiros de mudas, fornecendo várias espécies nativas de árvores gratuitamente. Em Santa Cruz, novas edificações têm direito também ao plantio das árvores, basta solicitar na Secretaria de Meio Ambiente. O município também conta o projeto Santa Cruz Mais Verde, que oferece a muda e o plantio de árvores, abrindo canteiros capazes de absorver a água da chuva no entorno da muda. Neste caso, o contato é a ONG Rio Pardo Vivo, autora e executora do projeto.

O novo Jardim Pacaembú, é repleto de calçadas ecológicas, como a da residência do casal Fernanda e José Trad (acima). Abaixo, modelos com arbustos e flores do Centro