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Edição 182 - Março/21

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Sempre foi Bolacha!

José Mário Rocha de Andrade – *médico santa-cruzense radicado em Campinas

A viagem de descoberta de Pedro Álvarez Cabral no século XVI durou 44 dias e, conservar alimentos nessa época ainda sem refrigeração, que seria criada por um médico americano somente no século XIX, era um grande problema.

Na época em que os homens viviam em cavernas, os trogloditas moíam os grãos na boca, mastigando-os. Alguém teve a ideia de moê-los com duas pedras, misturar água e secá-los duas vezes no fogo aumentando o tempo de conservação do alimento. Nascia biscoito, palavra de origem francesa: “bis” e “coctus”, cozido duas vezes.

Gregos, romanos, árabes introduziram mel, leite, canela, construíram fornos e o biscoito passou a ser um alimento, além de duradouro, muito apreciado. Era o alimento das viagens de descobertas nos séculos XV, XVI e XVII e eram extremamente duros, precisavam ser molhados para serem mastigáveis.

A Inglaterra esmerou-se e ficou famosa por seus deliciosos biscoitos. Um deles destacou-se, o biscoito Maria, em homenagem ao casamento da duquesa Maria Alexandrovna com o duque de Edimburgo. Chegando nos Estados Unidos, receberam o nome de cookies.       

O Brasil é hoje o segundo maior produtor de biscoitos (ou seriam bolachas?) do mundo. Bolacha tem sua origem em bolo, do latim “bula”, objeto esférico com o sufixo “acha”, diminutivo. A palavra holandesa “koekje” significa o mesmo e, dela, vieram cookie e cracker.

No Brasil há estados que usam biscoito, outros bolacha: Biscoito: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Bolacha: Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Os outros estados utilizam os dois nomes.

Em 2021, sejamos divinos!

*por Fernanda Lira, jornalista paulistana que adora o interior

Por que chamamos de caráter humanitário, trabalho humanitário, aquilo que se destina a tornar melhor a vida da coletividade e, especialmente, dos menos favorecidos? Se isso sempre foi prática de deuses e santos, por que não chamamos de caráter religioso? Ou caráter espiritual? Ou caráter divino?

Por que nós, meros e pobres mortais, juntos, por nossa condição original, denominamos uma ação tão elevada? Humanitário significa filantrópico; que busca promover o bem-estar dos indivíduos, da humanidade, buscando incentivar reformas sociais.

De modo geral, a julgar pelas guerras, pelas intolerâncias, pelos preconceitos, pela violência, pela injustiça, pelo ódio e indiferença que vemos no mundo historicamente, em conjunto individualmente – com exceções, naturalmente – humanos são péssimos.

Não sabemos dividir o pão. Não sabemos ouvir sem julgar. Não sabemos nos ocupar de resolver ou minimizar o problema alheio. Somos propensos mais a confabular a respeito deles e dos menos favorecidos do que a agir pelo bem comum.

Fossem os humanos tão bons para que humanitário significasse bondade, não haveria fome no mundo. Inclusive porque produzimos alimentos suficientes para todos. Para se ter uma ideia, entre produção e distribuição, incluindo naturalmente a comercialização, 30% dos alimentos da categoria hortifrutis são desperdiçados. Sabe quanto é isso? Muito.

Com 30% de tudo que você ganha, você já tem uma boa fatia do que chega de dinheiro em suas mãos. Seja pouco ou seja muito a totalidade, 1/3 disso é muito disso. É significativo. Faz diferença.

Numa empresa 30% é um número de sonhos! De metas. Crescer 30% ao ano. Uau! Enxugar 30% dos custos. Viva! Ter 30% de lucro líquido. “Estupendo!”. Os 30% agilizam a compra de um carro, de um terreno, de uma casa. Muitas vezes pagam uma bela viagem. Ou uma roupa nova.

Agora imagine uma quantidade gigante de alimentos. Imagine 1, 10, 20… 150 toneladas de alimentos, entre hortaliças, legumes e frutas. Consegue? É muito, né? Pois essa montanha de alimentos é desperdiçada todos os dias no Ceagesp, o maior entreposto de alimentos do país, sediado em São Paulo. Isso mostra o quanto estamos mal organizados, o quanto há de indiferença com a fome de milhões de brasileiros.

O ano está aí começando e você, que me leu até aqui pode questionar: mas esse não é um jornal de boas notícias? Sim, é.

Chega de usina em Piraju!

Fernando Franco Amorim Biólogo, jornalista, ex-presidente da Organização Ambiental Teyque-Pe (OAT) francopiraju@gmail.com

Sim, somos “Barrigas Amarelas”, Teyque-Pe, Kaiowá com muito orgulho! Nascemos e fomos criados dentro do “Panema” e, o rio, como diz o poeta “nos atravessa por inteiro e fica na memória”. Hoje, quando se comemora o aniversário de Piraju, os homenageados são, além do padroeiro São Sebastião e a cidade, também o povo bravio e íntegro desta cidade linda que luta incansavelmente para preservar, conservar e proteger este que é o maior patrimônio ambiental, histórico e cultural da Estância: o rio Paranapanema.

As raízes ambientalistas dos pirajuenses são profundas e fortes. Desde a década de 70, da infeliz tentativa da Braskraft de destruir o rio, os “Barrigas Amarelas” lutam para manter a integridade das corredeiras do Paranapanema. O rio está tão entranhado no pirajuense, que molda nosso modo de “ser” e “ver o mundo”, através de suas águas lóticas verde-esmeralda, de suas corredeiras cheias de histórias, repleta de vida e pedras basálticas, de margens de um verde tão intenso que nos dá muita paz e força espiritual para prosseguir lutando.

Quem são afinal os “Barrigas Amarelas” que estão por toda par-te? São todas as pessoas, nascidas ou não em Piraju, que têm no coração o amor incondicional por esta cidade incrível e pelo rio que atravessa a cidade ao meio, deixando um rastro de beleza cênica inigualável e lugares incríveis a serem descobertos. 

O “Panema”, tão ferido por 11 barragens de usinas hidrelétricas em seu curso, é a identidade cultural do pirajuense, é a nossa cara, é o nosso “eu” mais explícito, nosso rumo nesse mundo sem prumo que estamos vivendo atualmente. É nosso porto seguro. É nossa esperança em dias melhores. Há um tanto de nós naquelas águas que vão abrindo caminho rio abaixo. Somos parte desse rio e ele é parte de nós.

Esse rio de inspirações e de tantas “canções de rio”, música molhada nos trastes do violão do poeta, do cancioneiro, brisa de rio no peito aberto ao sol, naquele cartão postal que se abre diante de nós todos os dias. Por isso, o rio é tão importante para o povo de Piraju. Somos devotos de São Sebastião e desse rio que nos enche de alegrias e de emoção com amor e muito sentimento o tempo to-do. É assim que o rio age em nossos corações e mentes.

Sua natureza e simbolismo estão em nós desde sempre, desde o aldeamento dos índios guaranis Kaoiwás que habitavam às margens do Salto do Piraju, local conhecido como Garganta (no Parque da Fecapi) considerado a certidão de nascimento de Piraju, antigamente chamada São Sebastião do Tijuco Preto, que era um peabyru, ou seja, antigas trilhas indígenas, que serpenteavam ao longo do Vale do Paranapanema. Eles buscavam o caminho de entrada (Teyque-Pe) para a “Terra sem mal”, onde poderiam finalmente viver em paz e livre da perseguição dos “homens brancos”.

Atravessamos a imensidão para defender nosso modo de viver e sentir esse rio de nossas vidas. Criamos leis para proteger sua essência e estamos sempre atentos aos invasores e barrageiros sem escrúpulos, que querem a todo custo, destruir seu curso natural, barrando suas corredeiras. A cidade está no rio e o rio está na cidade, atravessa a cidade ao meio, impregnando sua gente com sua beleza, sua força e seu movimento rio abaixo.

Nas escolas municipais as crianças aprendem a amá-lo através de uma extensa e importante grade curricular sobre a história desse rio que se confunde com a própria histórica da cidade, numa clara demonstração de que tudo está interligado na natureza. Um exemplo de cidadania ambiental sem precedentes no mundo. Uma força nobre e eficaz que lança luz e respeito à natureza e ao ser humano, onde os educadores e professores pirajuenses, por meio da transversalidade do método ensino-aprendizagem, vivências e saberes, são como agricultores a lançar sementes de amor nessa terra fértil, que é o coração de uma criança ávida por conhecimento e saber.

Hoje celebramos a natureza integradora do rio Paranapanema na vida da comunidade “Barriga Amarela”. O rio está nas canções, nos poemas, na pintura, nas artes em geral e no imaginário do pirajuense, onde quer que ele esteja no mundo.